20 de dezembro de 2017

Solstício de Inverno 2017 (parte 2)

(sugere-se que antes desta obra de ficção, leia o texto Lua Nova de Sagitário 2017, aqui neste blogue. E a primeira parte deste Solstício de Inverno 2017. Todos os direitos reservados ao autor. Partilha e citação livres e encorajadas desde que respeitada a fonte original e o blogue http://www.taoenchoice.com)

Foram dias extraordinários, aqueles. Na madrugada do dia 20 de Dezembro desse ano, três horas antes de nascer o Sol, Saturno regressava a Capricórnio, depois de haver abandonado o principal signo sob sua regência 26 anos atrás (Saturno rege os dois Signos do Inverno no nosso hemisfério: Capricórnio e Aquário; se bem que Aquário, para ser original, acabou por descobrir para si próprio um novo regente quando se avistou o excêntrico planeta Urano no século XVIII, e lá foi encontrando maneira de dividir o mal pelas aldeias, ou melhor, de se dividir, o Aquário, pelos dois. Enfim, modernices!)

Há vinte e seis anos atrás, depois do pôr-do-sol (na verdade o Sol já se tinha posto, e quem se estava a pôr, a essa hora exacta, era Vénus; e Marte tinha acabado de culminar), Saturno deixou o seu domicílio, Capricórnio, para uma longa jornada pelo Zodíaco que só viria a cumprir-se agora, hoje, no dia 20 de Dezembro de 2017, com o regresso ao seu domicílio de famoso fiscal do Zodíaco (Saturno fiscaliza, enquanto se desloca, distribuindo recompensas e castigos consoante o que encontra pelo caminho; e como simboliza o reconhecimento e sucesso, e tem má fama, é o famoso fiscal do Zodíaco): até é caso para dizer, quando Saturno regressa ao domicílio, e se Saturno fiscaliza, que isto é que se chama domicílio fiscal. Ou então, fiscal ao domicílio.


Eram dez para as oito da noite do dia 6 de Fevereiro de 1991 quando Saturno deixou esse seu domicílio da última vez – a Guerra do Golfo tinha acabado de começar, três semanas antes, e tanta vida (e tanta morte), tanta oportunidade, e tanto, tanto puro tempo em branco por desvirginar e escrever em pedra com o cinzel das nossas escolhas, viriam aí pela frente; e se soubéssemos o que sabemos hoje, garanto (Saturno adora garantias) que as teríamos aproveitado, às vidas e às mortes, de outra maneira, e quem sabe – deus sabe – o nosso escopro teria esculpido, com a sua arte, uma obra diferente para o museu da nossa própria eternidade.

Há quem diga que não se arrependa de nada, mas esses – não são bons da cabeça. E muito menos se sentem bem do coração, na verdade: ou suportariam a dor inevitável do confronto com o próprio arrependimento, teriam a humildade de reconhecer os seus erros passados, e grandeza de se abrirem à sabedoria com que nos tenta ensinar, a todos, a nossa consciência – a consciência psicológica -; principalmente quando nos pesa (Saturno simboliza o que é pesado), e nos faz lamentar, sofrer, chorar, arrepender – e até deprimir – perante a inevitabilidade e a evidência de não termos feito diferente – imaginando que o teríamos podido, sabido, e querido – e perante as consequências irreversíveis ou pelo menos inevitáveis que viriam a ser as futuras, e portanto o nosso destino, e que não teríamos como saber, ter a certeza, ou sequer imaginar, tantas vezes, enquanto escolhíamos e esculpíamos assim o nosso próprio devir e futuro.

Eram dez para as oito da noite, a Guerra do Golfo tinha acabado de começar há três semanas, tantos de nós ainda nem sequer tínhamos nascido, outros tantos de nós ainda não haviam morrido, outros ainda não se tinham ainda deixado abater pelo peso das contrariedades e da vida, tornando-se assim a pouco e pouco uma espécie de mortos-vivos: embora vivos – aparentemente – tenham começado a morrer enquanto continuavam a viver: mas não propriamente.

Porque isto de uma pessoa se levantar, comer, respirar, fazer xixi, defecar, ir enganando o passar do tempo, opinar, gemer, arrastar-se, cumprir, repetir gestos mecânicos, fornicar, anuir, não quer dizer que esteja viva: quer dizer simplesmente que existe, e que até ver, vai sobrevivendo. Não quer dizer que haja alegria, esperança, vitalidade, emoção, comoção, entusiasmo, projectos de futuro e de sonho, força para batalhar, amar, e servir. Quer dizer simplesmente que apesar de não estar morta, não se pode considerar propriamente viva: foi Saturno (não o planeta, mas a sua própria rigidez) quem lhe arrefeceu o calor no centro do peito, por não ter sido capaz ou escolhido aproveitar as oportunidades da vida, por difíceis que fossem, para fazer de Si Amor. Resistiu aos embates como se de contrariedades se tratassem, e assim, em vez de fazer Amor com a Vida, e de deixar que a Vida fizesse Amor dela, passou a sentir-se assim: sistematica e irremediavelmente fornicada pela vida. Sem gozo. Sem prazer. E sem sentido.

Abrutalhou-se-lhe a sensibilidade, amarfanhou-se-lhe a esperança, encurtaram-se-lhe os horizontes, arrefeceu-se-lhe o espírito inocente e esperançoso com que nasceu, porque assim nascemos todos: e decidiu que esta Vida não era para ela, quando no fundo – era ela quem não se dispôs a servir para esta Vida.

E como uma flor, começou a murchar muito antes do tempo. Porque enquanto há Vida, há desabrochar, há movimento, crescimento, e mudança: enquanto há Vida, e Amor, não há murchar – há florança.

Eram dez para as oito da noite do dia 6 de Fevereiro de 1991, e Saturno avançava para Aquário, deixando para trás, no seu signo de Capricórnio (já lhe podemos chamar: no seu domicílio fiscal) o revolucionário Urano e o sonhador Neptuno - que se encarregariam entre si, nos anos seguintes, de nos puxar muitas vezes o tapete debaixo das estruturas pessoais seguras que haveríamos de querer construir, e que andámos a tentar construir, apenas para nos despertar para a evidência de que o Grande Arquitecto há-de ter (e tem!) para a morada de cada inquilino um plano provavelmente diferente daqueles de quem lá mora - e que a única maneira que um inquilino tem de adaptar a sua existência à morada que lhe foi atribuída, e pela qual é responsável como locatário e usufrutuário, é estar em contacto com o Arquitecto Divino, deixando que este lhe transmita as suas impressões e planos, para não estar – o inquilino – a perder tempo a edificar paredes onde se planeia um espaço aberto, nem a deixar ao abandono e ao léu as divisórias que precisam vir a servir de arrumo, nem a demitir-se de fazer as obras necessárias de manutenção, nem a deixar-se ficar a dormir – ou fora de casa, alheado do que lá se passe - quando chega a hora de uma renovação completa, de uma mudança, de um despejo, ou de obras de fundo.

E por falar em obras de fundo, renovações, e remodelações – a mais recente começou quando chegou Plutão a Capricórnio, em Novembro de 2008, e não se acabam as obras de renovação antes de 2025. Mas isso... já o inquilino percebeu há muito tempo. Que as obras começaram e estão para durar, digo.
Mas agora estamos em Dezembro de 2017, são quatro da tarde, e há doze horas (meio dia) que Saturno ingressou novamente em Capricórnio (já não o fazia desde Fevereiro de 1988) e se prepara para aí passar os próximos dois anos e meio.

Não é que venha só fiscalizar o decurso das obras que mandou fazer ao serviço do Grande Arquitecto, e a maneira como o inquilino compreendeu e executou o que lhe era, por sua parte, exigido

(não há nada melhor do que um inquilino respons_ábil, e Saturno adora que se conformem às suas directrizes: há quem sinta que são ordens, mas Saturno sabe – pese embora a ignorância, a indolência, a rebeldia ou a estupidez d’alguns inquilinos – que não são ordens, propriamente, se bem que sejam ordens, sim; são mais bem instruções para o sucesso. Se queres viver bem nesta casa, diz Saturno, tens de cumprir com uma série de tarefas – afinal, quem boa ou má cama fizer, nela se deitará; faz o que te digo, e vais adorar a experiência; se não obedeceres às instruções, vais ter uma experiência muito frustrante de viver nesta casa, porque o Arquitecto tem planos para o condomínio Gaia e não é por causa de um inquilino - ainda por cima é um aluguer de curta duração - que vamos mudar os planos. Compreenda, senhor inquilino, não vamos mudar as paredes de sítio só porque a si lhe apetece passar por ali, mas vamos estar cá sempre para o recordar das regras de convivência, urbanidade e educação para vivermos todos com sucesso neste condomínio, mesmo enquanto decorrem as obras: e está sempre qualquer coisa em obras. A seguir às casas, vamos tratar das antenas. E eu passarei aqui de trinta em trinta anos, um pouco menos, para me certificar de que está tudo em ordem, e que inquilinos merecem um louvor, que inquilinos merecem uma reprimenda, aliás, se me permite, corrijo – passo a vida a fazer isto, quero dizer, a pedir permissão e a corrigir: o que quero dizer é que mix de louvores e reprimendas merece cada inquilino dos que cá vivem. Quais estão para fazer check-in, para lhes começar a explicar as regras, e quais estão para fazer check-out, para lhes escrever a carta de recomendação para as suas moradas futuras. E agora se me permite, senhor inquilino... e Saturno continua.)

Mas não é só para fiscalizar o decurso das obras, nem o comportamento de cada inquilino, que Saturno cá vem desta vez.

Desta vez traz uma oferta de trabalho.

E no dia 21 de Dezembro, entre as dez para as nove e nove e dez da noite (Saturno é muito rigoroso e orgulhoso da sua invenção, o relógio; outras das suas invenções são o cronómetro – Saturno é o deus Cronos da mitologia -, a agenda, o calendário, e todas as outras formas de medir, quantificar e dividir o decurso inevitável e irreversível do tempo; é a sua maneira de garantir que todos os inquilinos têm um referencial comum, embora cada um o viva à sua própria maneira, para se organizarem nas suas vidas colectivas, e para irem medindo o tempo que já permaneceram no condomínio Gaia, de modo que assim podem ir tendo noção de que o tempo vai passando, porque afinal, tudo passa. Até Saturno passa, no mesmo signo, de trinta em trinta anos, e quando o faz, já encontra tudo diferente),

Entre as dez para as nove e nove e dez da noite de dia 21, dizia, Saturno aproveita a visita do Sol, que todos os anos passa lá naquela data para descansar durante três dias, durante as noites mais longas do ano, e antes de recomeçar a sua ascenção novamente até culminar no Solstício de Verão, onde estará novamente no seu auge, para aproveitar – Saturno não gosta de desperdiçar oportunidades - um raro momento de encontro, esta feliz coincidência de se encontrarem Saturno e o Sol no grau 0º de Capricórnio, o momento do Solstício: um encontro raro que já não se via há muitos anos e que levará muitos anos a dar-se outra vez, para fazer aos inquilinos todos, em simultâneo, uma proposta de trabalho que lhes dará o que fazer durante muitos e longos anos:

Uns de nós, como nos ensina o Sol, cumprem-se fazendo poesia, outros ciência, outros ensinando, outros dançando, outros cuidando de jardins, fazendo obras, caridade, falando, escrevendo, investigando, carregando pedra, moendo trigo, fazendo pão, distribuindo pão, ordenhando ovelhas, fazendo queijo, fazendo café, fazendo consultas, criando beleza, competindo, treinando, ensaiando, repetindo,

Cada um de nós, como nos ensina o Sol, é absolutamente único: e há uma qualidade específica, diferente para cada um, que lhe faz o Coração leve, aberto, expandir-se, e traz alegria, e prazer, e brilho, e graça, e permite assim que o Mundo (o condomínio Gaia) se enriqueça recebendo do Dom único de cada Espírito encarnado

(emprestamos e gerimos casas a espíritos, podia Saturno ter escrito no seu cartão de visita, mas não chegou a fazê-lo; também não precisava, era o seu negócio e toda a gente sabia, e quem não sabia, havia de perceber – era só, porque era tudo, uma questão de Tempo, e do Tempo, Saturno é que sabia)
E esta é uma altura absolutamente única para cada Um de nós, inquilinos, iluminar – graças à presença do Sol no grau 0º de Capricórnio enquanto Saturno também acabara de aí chegar – o que é que o faz realmente feliz como Espírito - embora tenha de aprender a funcionar de acordo com as regras do condomínio, e sempre com a consciência do bem-comum no Coração e em mente -; e esta é uma oportunidade rara que eu, Saturno, ofereço a todos os inquilinos de decidirem e escolherem que Trabalho querem ter aqui na comunidade:

É verdade que todos temos, mais ou menos, tarefas atribuídas e circunstâncias criadas pelas nossas – pelas vossas – escolhas passadas; e também é verdade que nem sempre, ou raramente, as estruturas (Saturno) das vossas vidas coincide com a verdade mais autêntica do vosso Coração (Sol): a não ser hoje, que é dia 21 de Dezembro de 2017, e são nove da noite, e estamos todos alinhados:

eu, Saturno, acabado de regressar a casa, para fiscalizar, distribuir recompensas e recompensas, e trazer a oferta de um trabalho futuro; vou a caminho de Plutão (encontro-me com ele em 2020, e tudo o que seja estrutura correcta ao serviço do Arquitecto há-de encontrar Poder, e o poder de transformar o sítio onde todos nós vivemos), e além disso – não há nada de mais importante, como sabes, do que assumir neste condomínio uma função, um papel e uma responsabilidade que sirva o colectivo enquanto te serve a Ti também,

o Sol, repousando e poisado durante três dias e ganhando ímpeto para voltar a subir nos céus, ganhando no momento de recolhimento a oportunidade de recordar, isto é, de se trazer de volta ao Coração (sabias que “saber de cor”, em inglês, é “to know by heart”? saber de cor é saber no Coração, é aquilo que é impossível esquecer – é aquilo que é sempre possível lembrar); o Sol, agora, está na zona menos elevada do seu percurso anual, como um menino deitado, um menino sem estatuto ou condições acabado de nascer no meio da palha – um menino que virá a ser o rei dos homens, note-se, mas apenas porque se descobrirá como espírito encarnado e filho do Grande Arquitecto, nascido para servir e cuidar de cada um dos seus irmãos;

e tu, que és inquilino e por esta altura já compreendeste que há um Arquitecto que tem os seus próprios planos e projectos para isto tudo - e que passam por proporcionar a melhor experiência possível a todos os inquilinos do condomínio, para o bem maior e comum, e que conta contigo para colaborares com os seus planos,

como é que te propões colaborar com o nosso Arquitecto?

Como é que queres ser lembrado, quando fizeres o check-out?

O que é que queres ter deixado aqui, de autêntico, de teu, de único, legado do teu próprio, inconfundível, irrepetível, delicado Coração?

Que obra queres deixar?

A que queres dedicar os teus próximos anos aqui, na comunidade condómina?

Qual é o teu sonho, agora que já percebeste que há planos de inquilinos, e há planos do Arquitecto, e como é maravilhoso quando coincidem? E sabes por quê, não sabes? Porque o que escutas no Coração, é o Arquitecto que te fala. É essa a tua via de comunicação e contacto com ele.

Alguma vez te tinha ocorrido que não é na cabeça que o encontras,
Mas no centro do teu peito?

Anda lá. Estou Aqui, sou Saturno, trago-te prendas e aprendizagens de trinta natais passados, e quem sabe até alguma tristeza, nostalgia, arrependimento, saudade, oh tempo volta para trás, não posso, nem tu, mas

Trago-te a prenda maior para os natais futuros.

Não podes voltar atrás, a não ser na memória e na imaginação:

Mas podes virar-te para a frente, definir uma intenção, assumir um compromisso, e incluir no teu compromisso o respeito e o reconhecimento por tudo o que experienciaste, viveste, recebeste, descobriste, aprendeste, até hoje: por tudo o que te foi dado a viver. Por tudo o que te foi dado. Por tudo.

(eu sou Saturno e gosto de simplificar ao essencial).

Então diz-me lá, como é que vais honrar toda a tua história, a riqueza de tudo o que sentes, a riqueza de tudo o que és, e de tudo o que podes vir a ser,

E como é que vais pôr-te, e ao resto da tua Encarnação, ao Serviço,

Fazer disso uma Empresa,

E de cada passo dado nessa direcção,

A tua noção de Sucesso?

A tua noção de Responsabilidade?

A tua noção de Destino?

A tua noção de Realização?

A tua noção de Propósito?

A tua consciência de que só porque tu viveste,

Alguém mais viveu melhor,

E porque tu te fizeste,

Se fez mais, o Amor *

... são quase nove da noite de dia 21 de Dezembro. Este ano há prenda de Natal antecipada. E Saturno, pacientemente, mas sem mais tempo a perder,

Quer ouvir a tua resposta -

Para te dar a listinha dos encargos para os próximos anos.

E não é para te angustiares, porque não é obrigatório que "lá" chegues:

É só para saberes ao que andas,

(o que aqui vieste realmente Ser, e como consequência disso, fazer)

e para que quando o Grande Arquitecto espreitar, a ver o que andas a fazer, e assim a tornares-te
Tu estejas mesmo, e sempre, a Caminho *

de ti. Do teu passado. Do teu futuro. Da tua própria etern_idade. Transportando para o futuro, como um Presente, o presente o futuro e o passado: todo o Tempo num só, e com esta breve passagem: tudo recebido e oferecido como um único Legado *


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