19 de dezembro de 2017

Solstício de Inverno 2017 (parte 1)


(sugere-se que antes desta obra de ficção chamada "Solstício de Inverno 2017", em duas partes, leia o texto Lua Nova de Sagitário 2017, aqui neste blogue. Todos os direitos reservados ao autor. Partilha e citação livres e encorajadas desde que respeitada a autoria e a fonte original http://www.taoenchoice.com)

Maio de 2026

Todos os Planetas Lentos, os que cartografam a evolução colectiva da Humanidade, entraram - depois de um ano de arranques e retrogradações, avanços e recuos - finalmente em signos novos e yang: signos ligados com a projecção da energia para o futuro. Signos de Fogo e Ar, ligados com novos ideais e visões, ideias, e formas de relação, comunicação e sociabilidade.

Urano entrou em Gémeos ao fim de oitenta anos, Neptuno voltou ao primeiro signo do Zodíaco, Carneiro, depois de cento e sessenta anos, Plutão entrou em Aquário em fim de duzentos e cinquenta. São números aproximados, apenas para nos recordar que Urano precisa de oitenta e quatro anos para dar uma volta ao Zodíaco, Neptuno cento e sessenta e cinco, Plutão duzentos e cinquenta.

Não é algo que aconteça todos os dias, Neptuno (misticismo e transcendência) ingressar no primeiro signo do Zodíaco, dar início a uma qualidade absolutamenta nova, e assim começar uma nova jornada de século e meio; não é algo que aconteça todos os dias, Plutão (transformação colectiva e individual) ingressar em Aquário, signo de ideais sociais e visões de futuro, para só lá regressar um quarto de milénio depois; e não é algo que aconteça todos os dias, Urano regressar a Gémeos, depois lá ter passado pela última vez em meados da década de 1940, a propiciar saltos quânticos na mentalidade colectiva e nas formas pelas quais comunicamos e nos transportamos. As cidades futurísticas dos anos 90 do século passado são, agora e cada vez mais, a realidade.


Até Saturno - principalmente Saturno - que cartografa, juntamente com Júpiter, a maneira como as culturas e as sociedades “filtram” as energias cósmicas mais impessoais e "universais" representadas pelos planetas mais lentos, e procuram - tantas vezes sem consciência disso, é evidente - dar-lhes forma e expressão - através dos paradigmas (paradigma, na acepção que lhe deu Thomas Kuhn) e das instituições sociais a quem cumpre exercer, dentro da consciência colectiva, o papel que lhes cumpre para que se cumpra o “zeitgeist” de cada tempo histórico; até Saturno, dizia, que representa o filtro social das energias universais ingressou num novo signo, num novo ciclo, e está pronto para mais uma viagem de trinta anos: acabou de ingressar (também ele) em Carneiro.

Estamos em Maio de 2026, e o início de uma nova Humanidade e de uma nova consciência colectiva desponta, como aurora, no nosso horizonte comum.

Até lá, ter-se-á cumprido largamente o inevitável, mas também: a consequência de todas as escolhas que, individual ou colectivamente, tenhamos feito até lá.

Janeiro de 2020

Saturno encontrou Plutão em Capricórnio - uma combinação difícil e pesada, marco na evolução/transformação social: das últimas décadas, dos próximos anos, das próximas décadas. O poder começou a apertar ainda mais, com regras ainda mais rígidas e o controlo social cada vez mais descarado: era o velho mundo, aquele nascido com a revolução industrial e capitalista, a estrebuchar - enquanto a inevitabilidade da evolução quer passar o testemunho ao futuro que aí virá, e o futuro é de fraternidade: não é de controlo das massas por um número restrito de indivíduos e corporações.

Os plutocratas começaram a sentir o poder a escapar-lhes das mãos, como quem percebe que o cavalo que selou afinal não é assim tão dócil, e começa a segurar as rédeas cada vez mais curtas, com força e violência, fazendo estalidos com a boca, ameaçando com castigos  - mas cagados de medo perante a possibilidade de caírem do cavalo abaixo.

O cavalo já não vai em cantigas (nem em filmes de hollywood, nem em fake news, nem em futebóis), e por todo o lado começa a ouvir outros cavalos a relinchar, com dor, e em protesto.

O cavalo nem se importa de pôr a sua força ao serviço da fazenda, mas quer ser respeitado, porque ao fim de muitos anos de escravidão e de sofrer com a sua própria negligência percebeu às suas próprias custas que cada um tem o seu lugar, a sua função, e a sua dignidade. Os capatazes e os seus patrões não sabem o que isso é, porque não conhecem nada além do seu próprio desejo de poder - que é como quem diz, da sua ambição cega e do seu medo.O ano seguinte, de 2021, é um ano de grande tensão social. Mas a evolução é inevitável.

2020 foi um ano marcante, marcado pela conjunção de Saturno a Plutão: assinatura astrológica clássica de períodos difíceis, de guerra, exercício de poder, controlo apertado, cristalização do poder, conflitos, assassinatos, dificuldades para as massas, fomes, pragas, guerras, extermínios. Sempre com a sociedade civil, e as massas, a serem dizimadas e sacrificadas como peões do jogo do poder.

Não é novidade nenhuma na nossa história colectiva - a nossa história escreveu-se, tantas e tantas vezes, disso: a primeira guerra mundial começou e foi despoletada por um assassinato, durante uma conjunção de Saturno-Plutão. O período do pós-guerra da 2ª guerra mundial coincidiu com uma conjunção Saturno-Plutão. A guerra das Malvinas ocorreu durante a mais recente conjunção de Saturno-Plutão, assim como os conflitos entre a Índia e o Paquistão - e tantos outros, no mundo e ao longo da história - coincidem com as conjunções de Saturno com Plutão, que acontecem sensivelmente de trinta e muitos em trinta e muitos anos.

E estamos em Janeiro de 2020, e Júpiter vai a caminho de encontrar Plutão - até Novembro desse ano tê-lo-á encontrado três vezes, devido aos movimentos de retrogradação, antes ainda de encontrar Saturno, já no início de Aquário, para a sua conjunção (algo que ocorre de 20 em 20 anos, mas invariavelmente em diferentes signos) a 21 de Dezembro de 2020, no grau 0 (zero) do signo do aguadeiro.

Talvez a presença e a passagem de Júpiter por Capricórnio tenha ajudado a suavizar a combinação Saturno-Plutão, e trazido para essa rara conjunção em Capricórnio (só acontece uma destas conjunções em Capricórnio, digamos, de quinhentos em quinhentos anos - aproximadamente, e em média: o que sabemos é que a anterior a esta de 2020 terá sido em Janeiro de 1518, e a próxima será em 2754) uma oportunidade.

Foi, foi.

É que foi assim, pela graça de Júpiter, que no ano de 2020 uma nova ordem social começou a surgir, e uma nova qualidade de poder a ser exercido, mas não só pelos plutocratas, políticos e corporações do costume - os montados do costume: começaram a surgir, com a conjunção Saturno-Plutão, poderes mais conscientes, líderes mais conscientes, e novas formas de participação social por cidadãos e organizações mais conscientes, responsáveis, e colectivamente mobilizadas.

O poder deixou de estar exclusivamente nas mãos dos tradicionais senhores do mundo, embora este o tentem exercer com cada vez mais controlo. Meios de comunicação, leis, “saúde”, “educação”, instituições económicas, os lobbies, tudo conspirando ainda mais forte - e de forma ainda mais descarada - para que uns poucos não percam privilégios e continuem a dominar o mundo.

Mas o poder começa a entrar em crise, que é como quem diz, num momento de rara oportunidade.

Não só porque a conjunção de Júpiter e Saturno a 21 de Dezembro de 2020 aconteceu no grau 0º de Aquário, prenunciando a “nova era” de que se vinha falando há décadas e décadas, mas acima de tudo - porque os Homens haviam decidido, uns anos antes, acordar.

E começar a assumir responsabilidade pelo destino colectivo da Humanidade, da Terra, do planeta, e dos recursos (naturais, financeiros, etc.). Pela sua saúde. Pela sua dignidade. Pela sua humanidade. Pela sua auto-determinação. Pelo uso consciente, responsável e livre das suas próprias vidas, recursos, e poder produtivo. Pelo uso livre da internet. Por alternativas melhores aos sistemas tradicionais. Pela justiça, pela paz, e pela cooperação em vez da competição e da alienação que tinham vindo, insidiosamente, a fragmentar todo o tecido social e humano.
A revolução começou a sair dos comentários no Facebook, e começou a traduzir-se em movimentos cívicos concretos e numa inaudita capacidade de contribuir para a revolução: de consciências e estruturas.

Enquanto outra parte do mundo cristalizava, paralisava, e se deixava obedecer docilmente à tirania, às estratégias da velha ordem, e deixava que lhe apertassem as rédeas, defendendo a importância dos cavalos serem controlados para não lhes acontecer nenhuma desgraça: o medo de sermos livres provoca orgulho em sermos escravos - e para não perder benefícios, a ilusão de segurança, e o direito a viver sem se incomodar, refugiou-se do desconforto e da miséria irreparável em que as suas vidas se tornara ainda mais decididamente no entretenimento, na alienação e na fuga escapista que a tecnologia, cada vez mais avançada, proporcionava, e nas novas drogas, frutos da engenharia, e nos chips de identificação, e nas vacinas para se proteger contra as doenças - reais, prováveis, improváveis ou inventadas, e no seu direito ao consumo (de carne, de leite, de medicamentos, de políticas conservadoras, de álcool, sal, açucar, anti-depressivos, flúor, etc.), e nos avanços promissores da ciência, cada vez mais inspirada na genética, na engenharia, na informática e na robótica - de tal maneira que a fronteira entre humano e tecnológico estava cada vez mais esbatida, e a tecnologia dava às pessoas esperança, vidas mais “boas” ou longas, mas não necessariamente melhores nem mais preenchidas do essencial.

E o mundo foi assim palco de uma clarificação de como há diferentes maneiras de viver, ou sobreviver, consoante os valores e os horizontes que as consciências individuais privilegiam - e que a “sociedade”, afinal, é o resultado de todas estas forças, movimentos, interacções, e inter-influências, com o poder exercido por aqueles a quem é entregue, e como dizia o Nietzsche, “quem não obedece a si próprio será comandado”.

Uns quiseram e puderam assumir o poder de mudar o mundo, e outros escolheram não o fazer, deixando que o poder continuasse nas mãos de uns quantos, trocando assim a responsabilidade pela conveniência, e optando - aparentemente - por existências com menos "ondas".


E o mundo dividiu-se, ou melhor, revelou claramente, à medida que as opções individuais e colectivas se cristalizavam, a diferença entre quem luta por obedecer a si próprio e à sua própria consciência, e quem simplesmente não luta, só obedece. Ou melhor, luta: mas apenas por aquilo que reforça e mantém a sua própria obediência.

Assim, a principal boa notícia desse ano de 2020 nem foi que a Astrologia estava novamente em alta, e a recomeçar a fazer parte da educação de um número crescente de indivíduos em toda a parte, que lhe reconheceram o poder de ser uma linguagem extraordinária para o auto-conhecimento, a compreensão da vida a uma escala maior do que o umbigo, a ignorância e a amnésia cósmica,

a boa notícia foi que o Homem, ou melhor, um número finalmente significativo de homens e mulheres de boa-vontade decidiu assumir responsabilidade integral pela sua própria vida, e assim, começaram a tornar-se em Autoridades que viriam a contrapôr os tiranos exploradores, manipuladores e reptilianos de outrora - uma alternativa ao poder tradicional estava nascida,

os cavalos já podiam sonhar com outros horizontes,

e tudo começara uns anos anos,

no Solstício de Inverno de 2017.

(continua...) 
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