3 de dezembro de 2017

a dança do Amor no momento - Lua Cheia 3 de Dezembro 2017



... depois de ter dado o seu grito de Ipiranga (a liberdade é uma coisa muito bonita),

E de se ter libertado das correntes que imaginava a apertavam, e prendiam, e amarravam às circunstâncias limitantes da sua própria encarnação,

- depois, portanto, de ter inalado o primeiro bafo inebriante da nova sensação, tão almejada, de liberdade (ou daquilo que  tomava por isso)

Deu-se um instante – um instantâneo? – vislumbre de sobriedade, de lucidez, de paragem repentina e forçada (mas tão natural, tão espontânea) mesmo à porta de entrada do seu próximo devaneio


Como quem acorda subitamente de um transe e cai na real, como uma bebedeira que passa de repente, de golpe, e nos deixa atónitos, estupefactos, balançando à porta do próprio estupor, saídos de um quase estado de graça induzido pelo auto-esquecimento e a súbita realização daquilo que esteve quase para nos acontecer, tivéssemo-nos nós deixado ir e entregue à sedução daquela manhosa e aparente forma de euforia tão e durante tanto tempo desejada – a imaginação do que seria a libertação

E ficou subitamente estacada enquanto lhe caía a ficha de uma súbita realização.

Quase seria o momento de um arrendimento, mas não houve tempo para isso, porque com a realização chegou também a recordação da sua própria grandeza e a nobreza do seu próprio coração,

E depois de se ter libertado das amarras que imaginava a apertavam, prendiam, e amarravam às circunstâncias da sua própria limitação,

Percebeu que não eram as amarras que a prendiam, mas a sua própria ilusão

- o que é, afinal, a liberdade, essa coisa tão valiosa? –

E compreendeu que não era por se libertar que se libertava, mas talvez

Realizando a dimensão da sua própria cegueira, e dando passos determinados para se responsabilizar por isso, no que ainda seria possível, no que ainda dependesse de si,

Que encontraria a essência daquilo que erroneamente andara a almejar como promessa da sua própria libertação.

Então de repente viu o filme todo, e de como estava quase a sair de cena e a saltar para um filme de ficção, enquanto a realidade da sua própria realidade por um triz lhe passaria ao lado – ou como passaria ao lado, por um triz, da sua própria missão.

Soube que precisaria voltar atrás, no que é possível voltar atrás se nunca nada se repete – de tal modo que voltar atrás talvez não fosse mais do que voltar a enfrentar as circunstâncias que seriam de sempre se não tivessem elas próprias também mudado entretanto, inevitavelmente, mas de um lugar novo, com um novo olhar, com um novo senso de participação e responsabilidade que o coração outrora apertado simplesmente não lhe teria permitido,

E munindo-se da recordação da sua própria coragem e grandeza, dispôs-se a voltar atrás ali mesmo onde estava, à porta de entrada do que poderia vir a ser o seu próximo transe, a promessa da libertação,

E com a humildade inevitavelmente chegada com a realização do seu próprio equívoco, sem arrependimento ou culpa mas com a suave irresistível força da sua própria diligência, reconheceu que acabara de ser novamente testada, e reafirmou a sua vontade – o seu compromisso – em ser boa aluna,

E continuar a aprender com os testes da sua existência aquilo que como todas as outras vem aprender, a abrir ainda e cada vez mais o coração,

Que é como quem diz,

Encontrar em si mesma a força, a dignidade e a grandeza de aceitar as coisas como elas são,

- não sem antes falar em voz alta e firme aos seus próprios tiranos recordando-os de que ela é a senhora de si própria, uma vez liberta da ilusão do "certo" e do "errado" - julgamento que a mantém aquém da sua própria natureza e dignidade

(a expectativa e o julgamento fecham o coração, repete ela para si própria como um mantra recém-descoberto, enquanto enfrenta a tirania que afinal é a das suas próprias limitações e julgamentos)

Já que isso ajuda – talvez seja isso que permita – ser a única responsável por si mesma.

Ela é a alma, e ele

Que olha para ela neste momento aliviado por ela ter removido mais um véu da sua própria ilusão

Ele é o espírito e olha para ela com orgulho

Do seu próprio amor, do suporte que ela é, da sua própria criação *

Ela encontrou mais uma vez o seu lugar, o seu poder,  a sua tarefa

ajudá-lo a ele a cumprir-se, que sem ela nada é,

ela segui-lo-á novamente e ele, servindo-a a ela, cumprir-se-á, 

expresso e honrado no seu próprio poder de irradiação.

e assim - só assim -

cuidarão da Encarnação *


Enviar um comentário