21 de novembro de 2017

Plutão em Capricórnio: uma mensagem urgente

(transcrição de uma conferência proferida no dia 7 de Janeiro de 2008)

« Hoje quero falar sobre o que tenho vindo a observar à minha volta nas energias colectivas e nas efemérides planetárias.


Amanhã, dia 8 de Janeiro, há uma Lua Nova no grau 17º de Capricórnio.


Mercúrio estará a passar de Capricórnio para Aquário.


Júpiter está em Capricórnio.


Saturno está em Virgem, e Urano continua o seu trânsito por Peixes.


Neptuno continua o seu trânsito por Aquário e Plutão no dia 26 atinge o grau 0 (zero) de Capricórnio. 

A entrada de Plutão em Capricórnio é um acontecimento que não ocorre desde há cerca de duzentos e cinquenta anos.




E o que é curioso é que da vez anterior que Plutão passou por Capricórnio ainda não era conhecido. E quando foi avistado, por um senhor chamado Percival Lowell no ano de 1930, ele transitava o signo de Caranguejo – o signo oposto e complementar de Capricórnio, onde se prepara para entrar.


Durante todo este ano Plutão vai estar a passar entre os graus 29 de Sagitário e o grau 1 de Capricórnio.


Os últimos anos, da passagem de Plutão por Sagitário, têm sido anos de tremendo drama. Drama, ou dramas, que emergiram essencialmente da desorientação espiritual da Humanidade, obrigando a rever valores e ir em busca de novos valores. Por isso nós estamos aqui, em busca de novas referências e valores espirituais.


Tivemos 13 anos da passagem de Plutão por Sagitário. E agora, o último ano em que Plutão passa por Sagitário nesta nossa encarnação, é altura de começar a dar forma (Capricórnio) àquilo que é a Verdade da nossa Alma.


Isto implica que nós temos todos de rever as estruturas nas nossas vidas pessoais.


Isto implica também termos um vislumbre de quem queremos ser, de em quem nos queremos tornar.


A passagem de Saturno em Virgem diz “quais são os conhecimentos, as técnicas, as ferramentas, as actividades, as rotinas diárias, a higiene, o exercício, o cuidado da psique através da soma, ou do corpo, o que é que tu precisas de reunir e construir como técnica, ferramenta, conhecimento, disciplina, organização da vida prática, de modo a poderes começar a lançar as pedras basilares da nova estrutura que queres criar de ti próprio, em ti próprio, na tua vida?”


Nós sentimos quotidianamente as tensões tremendas que existem nos Céus. Marte oposto a Plutão. Observamos os dramas de criminalidade, frustração, desmarcarem o Lisboa-Dakar, máfias a serem descobertas no nosso país, o sub-mundo e a violência da noite, a revolta das pessoas contra as novas proibições do tabaco, a guerra que continua nos países todos, a maneira como as pessoas conduzem, a quantidade de ambulâncias que circulam diariamente nas estradas da cidade… Existe muita tensão. E essa tensão tem a ver com o processo de alinhamento que é pedido a todos mas nem todos podem responder. E esse alinhamento é o dos desejos do ego, da personalidade, com a Vontade da Alma.


Se formos saturninos, podemos reconstruir estruturas. Mas temos de ser saturninos, temos de definir objectivos, temos que nos organizar na prática, temos de fazer contas, temos que gerir o tempo, temos que fazer exercício, alimentarmo-nos adequadamente, temos que ser fieis à nossa busca: temos que ser saturninos.


O trânsito de Júpiter por Capricórnio ajuda, facilita, alivia este processo. É um processo da Terra. É um processo de Virgem/Capricórnio. É um processo em que é através da matéria e das formas concretas que podemos actualizar a Verdade do Espírito.


Como é que a vida prática pode expressar o impulso da minha Alma? De que maneira é que a minha vida já expressa aquilo em que eu acredito? Onde é que a minha vida, a que eu chamo a minha “vida prática”, a que eu chamo a minha “realidade”, onde é que esta minha realidade pessoal não expressa a Verdade da minha Alma?


Plutão em Capricórnio está a “passajar” a ligação entre Sagitário (os valores, o Caminho Espiritual) e a estrutura prática das nossas vidas (Capricórnio).


Qual é o emprego que me serve? Qual é a minha relação com o meu trabalho? Quais são as actividades práticas, quotidianas, que expressam quem eu realmente sou?


Amanhã (8 de Janeiro) existe a 1ª Lua Nova do ano, no Signo que está a ser mais convocado pelos planetas nos Céus (Capricórnio), e porque uma Lua Nova é o momento em que um novo impulso espiritual ganha lugar, onde uma nova semente é depositada na consciência dos homens, este processo vai pedir a cada um de nós que defina, que escolha.


Eu observaria no meu próprio mapa astrológico, e convido-vos a fazerem o mesmo, em que casa está o 17º grau de Capricórnio: por onde vai começar a mudança. Por onde precisa começar a mudança.


Depois veria que planetas tenho ao redor deste grau, o grau 17. Pode ser o grau 15, 16, 17, 18, 19. Saberia que outras energias, portanto que outros planetas, podem, devem, precisam ser convocados para os ajudar nesta reestruturação da nossa vida.


O objectivo de todos nós é depois de afinarmos a nossa relação com a Verdade, viver à altura daquilo que se estuda, que se aprende, que se acredita, que nos faz sentido. Porque senão, acreditar numa coisa e ter uma estrutura de vida diferente, que não é o seu espelho, não é o seu reflexo, não é a sua manifestação, é uma perversão. A mesma perversão dos católicos que se vão confessar ao domingo de manhã para poderem pecar a semana inteira.


Ética e poder espiritual é viver à altura daquilo em que se acredita. E viver à altura daquilo em que se acredita, com estas energias em Capricórnio, não é viver na nossa cabeça à altura daquilo em que se acredita. É permitir que haja uma certa reorganização atómica nas estruturas cristalizadas da nossa vida.


Tudo o que é estrutura vai estar a mexer ao longo deste ano. E dos próximos anos.


A questão é: nós queremos ser vítimas e objectos dessa mexida, ou queremos ser agentes criativos e construtores dessa mexida. Que vai haver mexida, é certo e sabido.
 
Plutão significa, entre outras coisas, a aplicação correcta da força de vontade e do poder da Alma. Significa também a destruição inevitável de tudo aquilo que não acompanha, não suporta, não traduz a Verdade da Alma.


Desde que Marte e Plutão fizeram uma oposição no céu as nossas personalidades estão a ser confrontadas quase diariamente com o infinito mundo das contrariedades, das frustrações, dos impedimentos, dos medos, e de tudo aquilo que estimula o plano astral em cada um de nós. Seja no plano dos medos, das memórias, dos desejos, das preferências, do “gosto e não gosto”, do “sabe-me bem ou não sabe”, do “gratifica-me ou não me gratifica”, “satisfaz-me ou não me satisfaz”.


E Plutão diz-nos onde é que colectivamente a Humanidade - ou aquela parte da Humanidade que está sintonizada com esses processos, e é uma minoria -, onde é que esta pequenina parte da Humanidade tem a oportunidade de transformar e transformar-se e contribuir para a evolução.


Se servirmos esse propósito, o propósito que os Mestres conhecem e servem, podemos encarar a desestruturação, a destruição de algumas das estruturas da nossa vida como a libertação e a criação de um espaço vazio e do espaço novo para que a nova estrutura possa emergir e ser construída a partir desse vazio.


Mas se nós não estamos conscientemente sintonizados - e não há nenhum julgamento nas minhas palavras, é um processo impessoal -, se não estamos sintonizados com estas energias, com este propósito e com este apelo, então o que nós vamos encontrar é a morte de daquilo que mais tememos perder, que é aquilo que até ao momento, apesar daquilo em que acreditamos, ainda assim, simbolizava os resquícios da nossa segurança.


(...)


E quando eu falo nos “planetas” eu não falo numa espécie de Deus atrás das nuvens, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte, não é isto. Os planetas representam forças vivas dentro de nós, que nós podemos usar conscientemente e com a qual vibração nós nos podemos sintonizar.

Mas recordo-vos que quando falamos de vibrações planetárias como a de Urano, ou de Neptuno, ou daquela que nós estamos a falar neste caso especifico que é Plutão, o processo de alinhamento com estas energias está para lá dos limites do nosso Ego.


Isto implica criar abertura para que seja feita a Vossa Vontade, assim na Terra como no Céu. Essa é a tónica deste ano. É,seja feita a Vossa Vontade assim na Terra.
 
Júpiter em Capricórnio, Lua Nova em Capricórnio, Plutão a entrar em Capricórnio. Saturno a passar em Virgem. É um ano de Terra. E curiosamente, é um ano que propõe uma nova relação com as estruturas. Por quê? Simbolicamente 2008 tem a vibração de um 1, e um 1 é sempre um novo começo. Eu diria que este é um novo começo na vida prática, e para aqueles de nós realmente comprometidos com o Caminho (Sagitário) vai ser cada vez mais difícil viver uma mentira ou uma farsa. E esta mentira e esta farsa é o hiato entre aquilo que eu acredito e aquilo que eu faço e escolho fazer em cada pequena escolha, ou em cada grande escolha na minha vida concreta.


Claro que nada disto é uma espécie de ameaça cósmica, porque acima de tudo vivemos num Sistema Solar de 2º Raio, e o 2º Raio é Amor. E isto significa que não é “evolui senão lixas-te”, é mais: “podes escolher evoluir, podes escolher não evoluir, sempre terei amor para aceitar as tuas escolhas, e sempre terei a generosidade para te devolver às consequências da tua escolha. Eu não interfiro”. E quando digo eu, digo o Logos, digo a Inteligência Cósmica manifestando-se através de Leis Eternas como a de Retorno e a de Ressonância. Então depende de nós.


E quando eu digo “depende de nós” estou a falar de um conceito, que se refere também ele, a Capricórnio. Porque Capricórnio simboliza o sentimento de poder relativo que eu tenho para construir estruturas adequadas ou correctas.


Capricórnio simboliza aquilo que eu acredito serem os limites, serem as regras, serem as normas, ser a distribuição de poderes, ser a distribuição de responsabilidades, e com responsabilidade sempre temos uma outra boa ideia ligada com responsabilidade e esta ideia é a de poder pessoal. Eu só posso ter poder a partir das responsabilidades que eu assumo. Eu não posso querer ter poder responsabilizando algo ou alguém fora de mim. Porque se alguém tem responsabilidade, alguém tem o poder. É a mesma coisa. É frente e verso da mesma folha de papel. Não dá para dissociar.


Então Plutão a passar por Capricórnio também nos vai convidar, e eu diria mesmo a alguns de nós vai obrigar a rever: “o que é isto dos limites que tu acreditas que tens na tua vida?” e “quem disse? De onde vem esta regra? Qual é a verdadeira, a oculta, a submersa, a subterrânea causa desta regra que tu tens para ti próprio? Não podes, por quê? Tens que?! Onde é que isso está escrito? Que voz é essa? É a voz da tua Alma ou a voz dos teus avós?”


E quem diz “a voz dos teus avós”, diz a voz do teu marido, ou a voz do presidente da junta, ou a voz do professor, ou a voz seja de quem for.


É a tua voz, é o teu poder, é a tua responsabilidade, é a tua escolha. Tens a certeza que essa é mesmo a estrutura? Que esses são mesmo os limites? Que essas são mesmo as normas? Que é mesmo isso que tu escolhes que sejam os teus limites? Onde tens poder para mudar esses limites? Eles têm que mudar. Ou por tua colaboração, ou sem a tua colaboração. Com a diferença que sem a nossa colaboração o processo é mais doloroso porque não sentimos ter nenhum poder, nenhuma contribuição, nessa transformação, e porque não sentimos ter uma contribuição sentimo-nos vítimas.


E Capricórnio é também a energia que quando bem integrada nos ajuda a parar com as cantigas da lamentação, da justificação, da auto-justificação. “Ai eu não fiz porque”, “eu não posso porque”, “sim, mas…”


Então Plutão a passar por Capricórnio vai acabar com os porques. Claro que muitos porques em nós ainda vão estrebuchar.


Plutão em Capricórnio traz, para a Humanidade em geral, uma destruição de todas as formas de organização social, profissional, laboral, económica, governativa que nós conhecemos até agora. As instituições, os papéis, a importância dos títulos, a forma como se exerce o poder e o governo, a relação que nós temos com os nossos empregadores, a relação que nós temos com o nosso próprio projecto de vida – e eu não falo de trabalho nem profissão – o nosso projecto de vida, porque isso vai estar a mudar.


Mas “mudar, ai que fantástico!”? Não, vai começar a ser destruído, alterado. E a primeira etapa é haver uma desorganização dos átomos, das formas, para que depois com a liberdade que estes átomos conquistaram por se desagregarem da velha estrutura, a partir dessa nova liberdade os átomos podem re-agregar-se.


E quem conduz este processo? É o medo? O meu desejo? A minha ambição? A minha cegueira? O meu auto-envolvimento? O meu egoísmo? O meu “eu tenho é que fazer pela vida e o resto do Planeta que se fornique”?

Quem conduz este processo? É a parte maior, ou a parte inferior, da nossa natureza? Somos humanos e sabemos que temos uma dupla natureza. Metade divinos, metade animais. A questão é: vamos avançar levados pelas pernas, ou vamos comandar as pernas para que nos dirijam para onde o olhar se foca? Estou a falar de Sagitário, do centauro. E a meta, o horizonte deste centauro, é a nova estrutura da nossa vida. »


update: ao republicar este texto, a 21 de Novembro de 2017, a Lua transita por Capricórnio. No dia 20 de Dezembro de 2017, Saturno ingressa em Capricórnio. No dia 17 de Janeiro de 2018 há uma Lua Nova em Capricórnio. A 2 de Dezembro de 2019 Júpiter regressa a Capricórnio, onde estava quando esta conferência foi realizada. Em Abril, Junho e Novembro de 2020 Júpiter encontra Plutão em Capricórnio, antes de encontrar Saturno no grau 0º de Aquário e marcar o "tom" do desenvolvimento social dos 20 anos seguintes.

Quero dizer, estamos no prenúncio de uma nova era, e de uma nova ordem. E pôr a vida em ordem, assumir responsabilidade pessoal e colectiva pela Vida, é - parece - a ordem do dia. A ordem do ano, dos anos, dos mais próximos. E podemos - precisamos - começar por nós próprios.

A partir de 2025/26 é bem possível que venhamos a ter uma sociedade mais bonita, mais justa, mais fraterna, mais consciente. Vale a pena sonhar, mas mais importante: vale a pena lutar por isso.

Ou então, deixar que as coisas aconteçam. Mas depois não podemos reclamar. 

Vale a pena, também, recordar o excerto do Martin Niemöller, atribuído por vezes a Bertold Brecht, que o parafraseou no poema chamado "A Indiferença". Ficam aqui as duas versões. O reminder. Que por muito incómodo que seja, merece ser cada vez mais levado a sério.


"Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse"
Martin Niemöller


« Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.

Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.»

Bertold Brecht
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