13 de setembro de 2017

os eclipses de 2017-18: o Leão mostra a sua raça (2)

(continuação da parte 1)





5.

Os Nódulos, que têm um ciclo de cerca de 18.5 anos, regressaram ao eixo Leão/Aquário  em Maio deste ano 2017, e abriram, assim, mais uma “época” de eclipses (durante ano e meio) no Eixo da Individuação e da Participação Colectiva.

No dia 7 de Agosto, deu-se um eclipse lunar no grau 15º de Leão/Aquário.

No dia 21 de Agosto, deu-se um eclipse solar no grau 29º de Leão.

No dia 31 de Janeiro de 2018, dá-se um eclipse lunar no grau 11º de Leão/Aquário.

No dia 15 de Fevereiro de 2018, dá-se um eclipse solar no grau 27º de Aquário (diametralmente oposto, portanto, ao eclipse solar de Agosto).

No dia 27 de Julho, dá-se um eclipse lunar no grau 4º de Leão/Aquário, e no dia 11 de Agosto dá-se um eclipse solar no grau 18º de Leão.

Em Novembro de 2018, os Nódulos mudam novamente de signo(s) – mas não até lá, e ainda temos uns eclipses pela frente; o que significa que ainda temos mais de um ano (escrevemos isto em Setembro de 2017) para compreender, integrar, e crescer (por que não?) naquilo a que se refere o simbolismo destes signos.

Mas vamos mais longe; ou melhor, vamos mais fundo – ou melhor, vamos ampliar a perspectiva:
No ano de 1998 (e até Abril de 2000) iniciou-se uma época semelhante de eclipses neste mesmo eixo – foi essa a última vez (a vez mais recente) que estes temas, energias, geometrias, e propostas se activaram nas nossas vidas. No dia 22 de Agosto de 1998, por exemplo, deu-se um eclipse no grau 29º de Leão, com “ecos” directos sobre este, mais recente, de Agosto de 2017-

E antes disso?

Ah, antes disso também: no ano de 1979, a 22 de Agosto, deu-se um eclipse no grau 29º de Leão. Estávamos na época de eclipses 1979/81. E antes disso, em 1962, também os eclipses activavam o mesmo eixo, durante cerca de um ano e meio, como sempre fazem.

De modo que é só decidir quantas voltinhas queremos dar à espiral enquanto descemos, quais Alice down the rabbit (the Leo!) hole adentro.

Por isso, recapitulando: em 22 Agosto de 1979 houve um eclipse a 29º Leão (remetendo-nos para o período 1979/81), em 22 de Agosto de 1998 houve um eclipse a 28º/29º Leão (remetendo-nos para o período 1998/2000), e o mês passado, aproximadamente na mesma data (21 de Agosto de 2017, como já foi dito) houve um eclipse a 28º/29º de Leão, marcando muito claramente este período de Maio 2017 a Novembro 2018.

E nem sequer estamos a incluir os eclipses da Lua. Estamos só a observar estes padrões de ressonância e o rigor desta geometria – para nos ajudar a todos a reconhecer princípios, temas, e a aumentar a percepção e a consciência de que, e como, estes eclipses são sinalizadores cósmicos da nossa evolução.

E de como o passado se repete sem nunca se repetir.

E de como vivemos dentro de ecos, ou talvez, de como vivem ecos dentro de nós.

De modo que,

distâncias à parte, circunstâncias à parte, cronologias à parte, (i)maturidades à parte, trânsitos dessa altura e tudo o resto à parte,

Se pudermos reconhecer paralelismos, temas, arquétipos, entre o agora e o então, estamos no bom caminho para ter um vislumbre adicional do que estes tempos (e estes eclipses) nos parecem querer mostrar, dizer, pedir, propor, impor, ou forçar.

O que quero dizer é: revê a tua vida nesses períodos, mesmo porque nos retornos nodais (a repetição destes ciclos) o passado costuma regressar, sob diferentes formas, mas com os mesmos temas: no limite, trazem-nos “filmes” que já conhecemos, fazem-nos o “rewind” de temas importantes do nosso desenvolvimento (e MUITO especialmente se nascemos, nós próprios, com os Nódulos nestes signos – nesses casos, esta é uma “eclipse season” muito, muito importante e pessoalmente significativa, e os temas explorados neste texto podem revelar-se chaves do teu crescimento nesta fase).

E depois, nessa revisão, podes sempre entrar na trip do diagnóstico diferencial para despistar disfunções e temas leoninos do desenvolvimento emocional e psicológico: este é um diagnóstico particularmente apreciado pelos narciscistas, como qualquer Leão não integrado que se preze, quanto mais não seja, porque é sobre si próprio – e há lá coisa mais maravilhosa de contemplar, para um Leão ainda não realizado, e aprisionado na cela de um ego magoado, do que contemplar-se masturbatoriamente a si mesmo, ou coisa que mais sacie um neurótico do que ruminar incessantemente sobre as mesmas questões do passado?

Seja como for, disfunções à parte (quem as não tem?), há sempre algo de valioso a descobrir quando – num exercício consciente leonino de revisitar a própria construção da “identidade” – nos detemos uns instantes nalgumas perguntas que se podem revelar valiosas para compreender algumas das maneiras como nos distorcemos, boicotamos, encarquilhamos, e alienamos de nós próprios.

Por exemplo, e ao longo da tua vida – particularmente os primeiros anos, que são os mais (de)formativos:

Sentiste-te amado, visto, aceite, encorajado, validado? Tiveste modelos masculinos positivos e presentes? Desejáveis e amados - mas fracos, passivos, e ausentes?, ou personalidades fortes e presentes - mas indesejáveis?

Tiveste realmente um pai (não falo das circunstâncias biográficas, mas do teu próprio sentir)? Ou tens andado pela vida à procura de um? Ou a seres tu um pai para os outros, sem nunca o teres, tu próprio, tido um? É que Leão simboliza a Criança e o Pai, e a relação entre estes dois princípios: Leão como pai, Leão como filho, Leão como o espírito santo.

Crianças, pais e filhos - e relações entre eles - são temas fulcrais durante esta fase.

Mas adiante.

Como é que fizeste, desde que te lembras de ti, e com que esforço, para seres amado, aceite, e visto?

Quanto traíste da tua própria verdade para obteres amor?

Onde, e como, é que aprendeste a procurá-lo?

Intimidando os outros, seduzindo-os, manipulando-os, tomando conta deles, agradando-lhes a todo o custo, desenvolvendo uma persona, necessariamente falsa, dançando a música que os outros põem a tocar, ou recusando-te de todo (a não ser em circunstâncias muito particulares que só o teu psicanalista, ou se calhar nem ele, conhece e compreende) a ires ao encontro dos outros, e a dançar com eles?

Isolando-te a ti mesmo numa torre de marfim inatingível, inalcançável, e sentindo-te irremediavelmente separado, à parte, diferente, distante, incompreendido, e posicionando-te num dos pouco saudáveis extremos da comparação com os outros?

A quem é que queres agradar, ainda hoje, e para quê?

Será que ruges muito, apenas para esconder ou distrair as atenções do gatinho carente?

O teu pai pegou-te ao colo, atirou-te ao ar, transmitiu-te uma sensação de amor, segurança, e acima de tudo – orgulho e confiança em ti próprio e nele? Ou deixou-te a herança de teres de lidar com a dúvida, a inferioridade, a vergonha, e a falta de confiança em ti próprio e na quantidade de Amor que está disponível para ti na vida, assim lá chegues tu?

Desenvolveste interesses, hobbies, actividades criativas? Gostas, precisas, sentes necessidade - como se de água ou de oxigénio se trate - de passar tempo dedicado às tuas coisas, pintando, escrevendo, fotografando, dançando, compondo, enfim: criando e nutrindo-te, em simultâneo, da tua própria capacidade de estar só?

Ou precisas de te envolver sistematicamente nos projectos e nos dramas e nas vidas dos outros, de elogios e realizações especiais (efémeros e ilusórios “sucessos” que nunca taparão o buraco), de testemunhas humanas em permanência para teres a sensação de existir ou de seres significativo, de alguma destas – ou de todas estas – para lidares com um sentimento crónico – e antigo - de vazio?

És autêntico?, ou vives uma performance? És humano, ou és maravilhoso, perfeito, e fantástico, e tu também, e tu é que, e tu, e tu, e tu?

Foste especialmente elogiado e/ou criticado?, e se sim, pelo aspecto, pelo intelecto, pelo comportamento, pela tua capacidade de te conformares, pela tua natureza fogosa e irreverente, ou pelo quê? Tiveste espaço para seres quem eras, ou tiveste que trair parte(s) da tua natureza para (sobre)viver?

És realmente visto, mas visto – reconhecido, aceite, amado – por ti próprio? Tens orgulho, ou vergonha, do que desconfias que trazes dentro mas nunca terás a certeza se não correres o risco de o vir a expôr, assumir, e pôr para fora?

Com quanta verdade tens vivido na tua vida, nas tuas relações, nas tuas escolhas? Com quanta alegria, e com quanta liberdade de seres absoluta e rigorosamente o que és, como és, a cada momento?

Com que amor, e respeito, tens cuidado desse cuidado de estar em contacto com o teu próprio centro?

Ele há tantas coisas que se movem dentro de nós desde a mais tenra infância... desde que  a criança olha para o Pai e vê nele o poder e o amor que aprenderá a encontrar dentro de si, a aceitar e a exercer amorosamente ao longo da vida - ou todas as suas variantes disfuncionais,

desde que o Pai olha para a criança e encontra nela a marca do seu próprio poder criador,  Vida a energizar com a sua própria para que vingue e prospere e se cumpra a si mesma, e de preferência sorrindo e confiando em si própria - e não uma cópia, um clone ou um reflexo especular e narcísico de uma personalidade que não faz ideia de que poder criador é muito mais do que procriação biológica.

Tens sido, e tens deixado ser? Ou tens-te mantido aquém da alegria de seres tu próprio tornando-te tu, vivendo (inadmissivelmente) insatisfeito e (por consequência) cheio de expectativas e exigências sobre os outros, dando o que não tens ou dás com expectativa, ressentindo-te quando não te dão o tratamento diferencial e especial a que sentes que tens direito  - quiçá por sentires, no fundo de ti, que alguém (ou o mundo) te deve algo?

Manténs abraçada a criança, o inocente puro e ingénuo coração que nunca deixaste de ser?

És capaz de ensinar os outros, pelo teu próprio exemplo, a tratares-te com respeito - ou aprendeste a não o fazer? Ensinaram-te sobre o amor, pelo exemplo, pela generosidade, disponibilidade, e dádiva?, ou ensinaram-te a alegrares-te com as migalhas a que chamavam amor – e por isso aprendeste a viver masoquisticamente a vida toda, contentando-te com as migalhas, e aprendendo a lidar com a espera (a fome, a sede) enquanto não te dispensam mais umas migalhas como quem atira uns ossos aos cães para manter a matilha quieta? Escolhendo inconscientemente todas as situações que te fazem infeliz, apertam, abusam, e fazem descer ainda mais baixo numa imaginária  escala de “auto-estima”?

Transformaste as tuas questões de auto-estima numa grandiosidade pessoal exagerada? Precisas dos outros para forjares uma imagem de superioridade perante eles (e ti próprio), ou não dependes assim tanto de diminuir os outros para teres consciência do teu próprio valor?

Sentes inveja crónica do sucesso dos outros?

Com o que é que confundes o teu valor de Ser? Com o ter, com o parecer, com o receber, com o dar? Ou com... o quê?

Que máscara criaste para toda a gente bater palminhas e gostar de ti? Tornaste-te a criança prodígio, uma cópia do pai, um rebelde que rejeita toda a autoridade, um coitadinho que precisa dos outros, um solitário em guerra contra o mundo, engordaste cinquenta quilos mais do que devias, cercaste-te de coisas e merdas sem valor intrínseco (a não ser por consenso social, tipo, gucci é bom), trabalhas 18 horas por dia 6 dias por semana por medo ou ambição, lutaste por títulos académicos atrás de títulos académicos, ou foste ao chuva de estrelas?

Mais importante do que tudo isto:

Tens consciência de como a dor te tolhe o repertório de escolhas, e te espartilha numa imagem à qual acreditas que tens de corresponder sob pena de “perder o amor” (a importância, o valor, enfim... aquelas coisas que nos saciam, até um certo nível, o Leão)?

Não sabemos se já és grande. Mas serás, inevitavelmente, maior do que nos teus anos (de)formativos - e já tiveste mais umas quantas, várias, quadraturas de Saturno, que é como quem diz: já passaram uns anos desde esses anos formativos e muitas oportunidades de aprender com o sofrimento gerado para ti próprio, por ti próprio; e se calhar até já tens idade para assumir responsabilidade pela tua própria vida –

Ai tens, tens,

É que quando falamos dos eclipses em Leão a mensagem é basicamente esta: emancipa-te (ama, integra, abençoa, libera, agradece, arrepende-te, aprende, e segue) do teu próprio passado e da tua própria história até hoje:

deixa de ser (a) criança, a criação (de outros), a criação (de uma persona que não expressa a verdadeira Individualidade) e torna-te (o teu próprio) Pai; porque durante esta época de eclipses, os “pais” (que faziam de ti filh@, criança, criação) eclipsam-se. Desaparecem. Apagam-se. E tens de ser tu o centro, o criador, o Pai, o pilar vertical da tua própria Luz e se deus quiser até dos outros. Os reis morrem, os luminares do nosso firmamento apagam-se, os príncipes sobem ao trono e coroam-se reis, o Leão mostra a sua raça, e a vida renova-se.

Não é isso um eclipse? Quando o Sol, que tudo iluminava até aí, se apaga?

Por isso revê estes temas na tua vida, na tua infância, nos teus relacionamentos de todo o tipo - mesmo que guardes, dos teus embates com a vida nas duas (quatro, seis, oito...) últimas décadas apenas as cicatrizes, as cãs e o cinismo, sem as contrapartes de sabedoria, paz, maturidade ou alegria que as experiências da Vida também nos permitem, com toda a propriedade, chamar de nossas.



VI

Queres ir ainda mais longe nesta linha de exploração?

Imagina que a energia do eixo Leão-Aquário é mesmo muito importante no teu Mapa (como se não fosse muito importante no mapa de toda a gente): mas vamos dizer que tens lá o Sol, o Ascendente, Saturno, a Lua, planetas pessoais (Mercúrio, Vénus e Marte), e que o simbolismo destes eclipses, portanto, te toca muito pessoalmente;

Imagina. Estamos em 2017, e tu tens 30 anos, e no período 1979-81 nem sequer tinhas nascido, porque só virias a uns anos depois. Ou no ano seguinte. Ou tinhas acabado de nascer no ano anterior. Não interessa: o pior que pode acontecer é não chegares a conclusão nenhuma depois deste exercício de evocar as ressonâncias que continuam a vibrar e reverberar ao longo do tempo, e na memória, ciclo nodal após ciclo nodal, porque o princípio é o mesmo. Para compreenderes o eclipse actual, recua dezanove anos. E para compreenderes esse, recua mais dezanove anos. E para compreenderes esse, recua mais dezanove anos: mesmo que ainda não tivesses, nessa altura, nascido.

Por exemplo, o que é que se estava a passar - não contigo porque ainda não tinhas nascido, ou tinhas um ano, ou dois, ou três - mas com a tua família mais próxima (mãe, pai, avós, irmãos...), nessas essas alturas, nos ciclos anteriores, e particularmente com as figuras mais “fortes” e (tipicamente, mas não só) masculinas, regidas e associadas a Leão?

o pai de família, passivo e ausente, herói-modelo ou tirano alcoólico indesejável;

o primeiro amor da tua mãe, proibido mas enterrado – e mal esquecido – nas suas memórias adolescentes;

o avô que sustentava a casa e a família, o pai que era refugiado político, o irmão antes de ti - muito desejado, idealizado e sonhado - mas abortado entretanto antes de tu vires, sem nunca ter chegado a nascer – irmão fantasmagórico ao qual terás a tua identidade e existência inevitavelmente agrafadas (e por muito que te esforces nunca serás o fantasma que nunca chegou a nascer e que pode dominar o inconsciente familiar);


a experiência de quase-morte, ou de sufocação numa idade muito precoce, e que encontrará maneira de se reencenar – literal ou simbolicamente - nas circunstâncias da tua vida até ser tornada consciente;

ou o desejo forte que  existia no teu pai de que nascesse um menino e vieste tu, menina, que tiveste de crescer um bigode e um grande par de tomates para lhe agradar sem nunca o conseguires realmente?

Ele há tantas possibilidades...

Bottom line: de que maneira podem estar experiências dos teus antepassados - quando ainda nem sequer tinhas nascido – a impactar, influenciar, distorcer, condicionar, enfim: a enformar a tua vida?

Mas isso era em 1979/81. Porque nos eclipses de 1998/2000 já cá tu andavas, e os eclipses, nessa altura, se calhar tiveram a ver com um relacionamento significativo no início da faculdade, ou com uma escolha profissional ou académica com cujas consequências estás ainda hoje a lidar, ou com uma mudança de país, ou a morte de uma figura significativa... E em 2017/18 é-te pedido que revisites a tua consciência, a tua história, acima de tudo o teu coração, e que escrevas uma estória nova.

São ciclos dentro de ciclos. E este é apenas UM desses ciclos que vivemos, todos nós, mas de maneiras absolutamente individuais, únicas, irrepetíveis.

O essencial é reconhecer que as coisas não acontecem no vazio,

E que lá por não saberes delas

Não significa que não existam.

Pergunto-me, por exemplo: serás tu capaz de compreender, e reconhecer, esses ecos do passado a fazerem-se presentes – se não na tua vida, pelo menos na tua consciência?

Que “herança” te corre no ADN psíquico?

Serás tu capaz de compreender, e reconhecer, o que o teu Coração (não a tua mente) realmente quer?

Serás tu capaz de te aceitares no que és e queres realmente e faz o teu Coração feliz?

Serás tu capaz de defraudar as expectativas dos outros, e superar as tuas próprias limitações, e ousar ser ainda mais? Não é mais no sentido egóico, quero dizer, mais do mesmo: como quem ganha o euro-milhões e em vez de continuar a empanturrar-se com big mac’s passa a empaturrar-se com caviar Beluga, e em vez de viver em A-dos-Cunhados passa a viver em Cascais, e em vez de ir passear à Feira do Relógio passa a ir ao Mónaco – com muita mudança de cenário mas nenhuma no essencial.

Não é desse “mais” que falo.

É mais no sentido de Ser. No sentido de essência. De alegria. De verdade. De ousadia. De generosidade. De saudável auto-consciência. De saberes que quanto mais tu, mais os outros também. 

Quanto mais te cumpres. Quanto mais ocupas o teu lugar. Quanto mais cresces. Quanto mais brilhas. Quanto mais te realizas.

Porque vou recordar-te de algo que já leste várias vezes neste texto (e que o teu Leão vai adorar ouvir): tu és o universo inteiro, és único, és especial, e é através de ti que o universo, deus, o Amor, etc. etc. etc. cumprem.

(e é aqui que a consciência de Aquário vem acrescentar: sim, claro. Através de ti também).

Mas na parte que te toca: ousas, ou não, ser ainda mais?



VII

Queres um exemplo de como estas coisas funcionam?

(o intelecto humano maravilha-se com os exemplos, e toma-os – na ausência da intuição – como a prova e a demonstração do que “deveria” (poderia!) ser, só por si, evidente - sem precisarmos de exemplos nem desenhos. Mas é o intelecto, é nosso, é humano, faz parte - e merece ser amado e incluído como qualquer outra das nossas imperfeições. Assim, de intelecto para intelecto, toma lá um exemplo:)

Sabes que o eclipse de 21 Agosto, “o grande eclipse americano” “caiu” exactamente no Ascendente e no Marte do Donald Trump, e foi visível em grande parte do território dos EUA? Isto levou muita gente a assumir que o eclipse (como se o eclipse tivesse efeitos imediatos, visíveis, espectaculares, instantâneos, e à mostra do mundo inteiro, assim de repente) significaria um grande acontecimento relacionado com (o fim d’)a sua presidência: o seu destino e o destino da nação que lidera. O que não está de todo excluído, porque ainda falta tempo; além disso, as pessoas parecem andar sempre à procura dos “grandes acontecimentos” à sua volta e não percebem que os grandes acontecimentos, se são mesmo grandes, acontecem dentro – às vezes fora também, é certo, mas não é preciso ser a raposa do St.Exupéry para perceber que o essencial é invisível aos olhos.

Pois bem. Um dos principais focos de atenção para (e sobre) o Donald Trump, com o seu Marte e Ascendente “tocados” pelo eclipse, foi o escalar da tensão com a Coreia do Norte e a promessa de retaliações, com uma “resposta militar maçiça” aos exercícios e demonstrações da Coreia do Norte com o lançamento de mísseis balísticos e intercontinentais. E sobre isso poderia ser escrito outro artigo, e há muita coisa escrita sobre o assunto quem pode consultar quem queira aprofundar, mas o essencial aspecto que quero sublinhar em tudo isto é o seguinte:

Isto aconteceu com o eclipse de 21 de Agosto de 2017. No dia 26 de Agosto a Coreia do Norte lançou 3 mísseis balísticos e no dia 29 de Agosto lançou um míssil que, pela primeira vez desde 2009, sobrevoou território japonês, antes de cair no Pacífico.

Terá isto alguma relação com o eclipse de 1998?

Bem, em Agosto de 1998 a Coreia do Norte ensaiou o lançamento (falhado) do ''Taepodong-1' sobre o Japão. Pyongyang afirmou nessa altura querer colocar um satélite em órbita, os Estados Unidos declararam ser um míssil.

E o ano de 2009, que teria sido a última vez que a Coreia do Norte fez um lançamento que sobrevoou o Japão? Bem, em 2009 os Nódulos estavam exactamente no mesmo eixo Leão/Aquário, mas invertidos – estavam precisamente a meio da sua revolução com a duração de 19 anos.

E se formos mais atrás, ao ciclo nodal e de eclipses anterior, o de 1979?

Não temos a certeza, mas sabemos que foi no final da década de 70 que a  Coreia do Norte começou a desenvolver versões e variantes de mísseis...

A pergunta é:

Consegues reconhecer aqui um padrão?

Óptimo.

Agora, era só desligares as notícias e concentrares-te no teu próprio processo. E para adicionar às tuas próprias reflexões, deixa-me finalizar este texto oferecendo-te algumas coordenadas astrológicas para aplicares estas ideias à tua própria vida – mesmo que tenhas muito poucos conhecimentos de Astrologia e do teu próprio Mapa.

Claro que se souberes Astrologia – ou se analisarmos o teu Mapa particular - a coisa torna-se muito mais complexa, específica, e individualizada.

Mas aqui, no âmbito deste texto, ficam apenas as coordenadas genéricas.




VIII

Se tens e conheces o teu Mapa Astrológico, sobrepõe os graus dos eclipses ao teu Mapa para ver onde, como e o quê os eclipses... eclipsam.

Planetas no teu Mapa activados pelos eclipses vão ser eclipsados, isto é, tens oportunidade de reveres filmes da tua própria vida, de mudar as circunstâncias e o nível a que vives esse(s) Planeta(s), e passas a olhar para o que esse Planeta simboliza com outros “olhos”, i.e., com outra consciência.

As Casas Astrológicas onde os eclipses caem (tipicamente, duas ou quatro das doze Casas do teu Mapa) representam as áreas de vida onde o estímulo representado pelos eclipses vai pôr coisas em movimento.

A posição do Sol no teu Mapa, por Signo, Casa e Aspectos é fundamental, fundamental; assim como a posição do signo de Leão por Casa e Planetas que “aí” estejam.

Se não sabes nada do teu Mapa, mas sabes pelo menos o teu Signo, Ascendente e/ou Lua:

Conforme o teu Ascendente e/ou signo do Sol e/ou Lua, o eclipse vai (genericamente) activar as seguintes áreas/temas/dinâmicas na tua vida (se se tratar do signo da Lua, podes esperar estes temas fazerem-se presentes particularmente na tua vida emocional, doméstica, e familiar):


Carneiro – reaprender a amar. Novos projectos. A importância dos amigos. Uma nova relação com crianças. Redescobrir a própria criatividade e individualidade. Um prazer renovado na relação com filhos, ou com crianças.

Touro – uma nova base pessoal para a vida, um novo conceito de família, novos objectivos profissionais, a criação de novos alicerces. Mudanças familiares.

Gémeos – reorganização das tuas próprias associações neuronais; estimular a mente, aprender novas coisas, abrires-te a novas ideias; encontrar um novo senso de confirmação e orgulho no próprio intelecto; reinventar quem se é perante os irmãos (se os houver) e os amigos mais próximos. Ampliação da mente por várias vias, incluindo viagens, contacto com outras culturas, e valores filosóficos inspiradores.

Caranguejo – um novo senso de valor, valorização, e segurança pessoal. Novas aquisições. Renegociação dos termos dos acordos com os outros. Transformação através de circunstâncias que não dependem de ti e que não podes controlar: apenas render-te, entregar, e confiar que reemergirás renovad@.

Leão – identidade pessoal, apresentação perante o mundo, e relacionamentos de todo o tipo: tudo isto estará em profunda transformação durante este ano e meio

Virgem – iluminação e/ou libertação de padrões inconscientes de auto-sabotagem; a importância de ter um Trabalho que seja Serviço e não sobrevivência e subsistência, senão, a saúde vai ressentir-se. Oportunidade de resolver e libertares-te de questões, desafios e problemas deste foro. Ganhar uma nova perspectiva na relação com a lufa-lufa do dia-a-dia: maior distanciamento, ou maior envolvimento.

Balança – novos objectivos e sonhos, visões de possibilidades de futuro, novas amizades e projectos, uma renovação da vida social. Também a criatividade, a relação com crianças, e o desenvolvimento de novos hobbies e interesses. Encontrar um novo equilíbrio entre o dar e o receber (genericamente, Amor).

Escorpião – show up! Step up! Maior exposição pública, novos palcos profissionais, mudanças domésticas, oportunidade (necessidade?) de exercer maior autoridade social ou, no mínimo, sobre a própria vida. Libertação de padrões emocionais condicionados pelo passado (infância? Vidas passadas? Sabe-se lá: com Escorpião é tudo um mistério, e quem sabe alguma coisa, também não diz!)

Sagitário – uma nova visão da vida, o estrangeiro e as viagens a ganharem importância, a descoberta de que o mundo é ainda maior do que se pensava, e ao mesmo tempo – por outro lado – uma nova capacidade de interagir e de te integrares no teu ambiente mais próximo, imediato. Regressar do Perú e ter prazer em conversar com a vizinha sobre isso.

Capricórnio – perder o controlo (que é sempre uma boa aprendizagem para Capricórnio) e o resto, fazer lutos, viver e atravessar crises, renegociar parcerias e acordos; e redescobrir formas de viver, honrar e expressar a energia sexual. Da obrigação, da performance, da ninfomania (ou da frigidez!) ao prazer, à transcendência, e à entrega. Com mais ou menos yoga (e poder envolvido!) pelo caminho.

Aquário – novos públicos, novas relações significativas, e sabe-se lá mais o quê: Aquário que é Aquário é imprevisível e é tão prisioneiro das suas próprias ideias do que é liberdade, que se lhe dissermos para ir para a esquerda vai para a direita, sem perceber que é dessa reactividade que consistem, precisamente, as prisões mentais que o mantêm aquém do que mais preza e precisa: estar livre e disponível para perseguir os seus próprios impulsos e ideias bizarras, encontrar outros freaks com quem as partilhar, e nunca pertencer totalmente a coisa nenhuma

Peixes – o trabalho precisa ser mais criativo, mais autêntico, e mais de acordo com a essência. A saúde, as rotinas, o dia-a-dia de trabalho, exercício, repouso, lazer, etc, precisam ser reinventadas. Mudanças de hábitos, regimes, e uma nova exigência de verdade em tudo o que se faz. Não são os eclipses que mandam: é o próprio Coração.

Finalmente, e porque isto era para ser um apontamento e já vai quase num livro, uma última ideia sobre os eclipses solares em Leão:

O Sol é o que ilumina, mas é também o que cega. O que aquece, mas também o que queima.

De modo que te convido a reflectir brutal e honestamente sobre a maneira como o teu próprio Signo Solar te tem cegado ao longo da vida,

E como o astrologuês é a linguagem mais económica que existe, deixa-me pôr assim (e mandar-te estudar Astrologia, se queres mais):


Carneiro – tens sido encadead@ pela tua própria Carneirice

Touro – tens sido encadead@ pelo teu próprio Taurismo

Gémeos – tens sido encadead@ pela tua própria Geminianice

Caranguejo – tens sido encadead@ pela tua própria Caranguejice

Leão – tens sido encadead@ pelo teu próprio reflexo (pior que um Narciso, só mesmo um narciso 
cego)

Virgem – tens sido encadead@ pela tua própria Virginianice

Balança – tens sido encadead@ pela tua própria Balancice (ao menos não é balancite, que seria uma inflamação: falamos da questão crónica – não da aguda)

Escorpião – tens sido encadead@ pela tua própria Escorpionice

Sagitário – tens sido  encadead@ pelo teu próprio Sagitaranismo

Capricórnio – capricornice (com Capricórnio não há tempo a perder)

Aquário – tens sido encadead@ pela tua própria Aquarianice, mas descansa – mesmo assim, ainda estás à frente de uns quantos

Peixes – tens sido encadead@ pela tua própria Peixice, e sabe deus como. Deus sim, porque os outros, coitados, nem se apercebem


pronto. Agora, se souberes de alguém que possa beneficiar pelo menos de parte deste artigo, já que foi esse o objectivo com que o escrevi, faz-me o favor de partilhar, reenviar, ou seleccionares excertos específicos. Mas peço-te que respeites, e refiras, a sua origem, e, idealmente, o endereço deste blogue. É que estamos em época de Leão, e este texto, já agora,

fui eu que o escrevi.

nUno Michaels, 13 de Setembro de 2017


Enviar um comentário