13 de setembro de 2017

os eclipses de 2017-18: o Leão mostra a sua raça (1)




I

... se me ponho prá qui a explicar, e a contextualizar,

ou à espera de escrever um artigo astro-lógico comme il faut, com pés e cabeça, princípio meio e fim, contextos parágrafos e masturbações mentais tintim por tintim

com as necessárias, imbricadas e inextricáveis correlações entre símbolos, visões, imagens, ideais, ideias, possibilidades, palavras e coisas - entre si e umas com as outras (é só combinar a gosto, que já estamos em Setembro)

para destacar – inevitavelmente – os trânsitos actuais e os eclipses recentes (7 e de 21 de Agosto) e próximos (31 de Janeiro e 15 de Fevereiro, 27 de Julho e 11 de Agosto de 2018), todos eles no eixo Leão-Aquário

e como se podem – senão nem vale a pena perder tempo com isto - entre outras possibilidades, propostas, propósitos e visões traduzir, entender, pensar ou inventar “significados” para o que se cartografa nos céus no presente, passado recente e no futuro imediato

(como se não fosse, isto tudo, inventado)

– e até, como se reflectem, aplicam, ou dimensionam à vida de cada Um, consoante algumas das traves-mestras da sua astrologia particular, todas estas mensagens siderais, ou melhor: o que nós próprios, humanos, inventamos, concluímos, atribuímos, e projectamos às danças dos céus, e de resto: a tudo o que vemos (e depois, inevitavelmente, confirmamos)

... se me ponho agora, dizia, a explicar e a contextualizar, ou à espera de ter uma artiga carta escrita para ti cara bonita, no livro das caras ou no bla-bla-blogue, ou de escrever um artigo decente para enviar na newsletter, etcetter,

passa-se mais outro mês – se calhar – e a oportunidade d’isto, agoramesmo; porque como dizia Séneca, e já antes deles Hipócrates, a oportunidade é passageira, o julgamento difícil, a experiência enganosa.

E além disso, a vida é breve.

De modes que, sem perder mais tempo, aqui ficam – sem teorias nem grandes enquadramentos

algumas considerações sobre os tempos que vivemos,

As propostas que nos fazemos e nos fazem os céus, ou o espírito dos tempos,

As mentiras com que nos enganamos e as verdades com que nos libertaremos

E acima de tudo as coisas de que mais precisamos

Mesmo quando não temos consciência do quanto as queremos.


II

First things first: desde Maio deste ano, 2017, e até final de 2018, os Nódulos da Lua estão e estarão a atravessar o chamado eixo da Individuação e da Participação Colectiva (Nódulo Norte em Leão, Nódulo Sul em Aquário).

Somos todos chamados a reinventar-nos, a assumirmos e a criarmos (sim, a criarmos) uma Nova Identidade. Não só para nos actualizarmos e cumprirmos, mas também para nos reintegrarmos e contribuirmos.

Esta “Nova Identidade” estará, no essencial e do ponto de vista astrológico, intimamente ligada com a natureza do Sol de cada um (astrologicamente: Signo, Casa, Aspectos, etc.) e os posicionamentos ligados a Leão; e, espiritualmente, com o nível da consciência individual, ou seja, com a capacidade relativa de Ser, Reconhecer, e Expressar Amor a níveis cada vez mais inclusivos e (palavra carregada:) “incondicional”.

Somos todos chamados a ser expressões mais integradas e conscientes do que “Leão” significa na vida. E tudo o que possa ser dito sobre isso, estará aquém disso. É como o Tao, sobre o qual nada pode ser dito. Se é o Tao, não pode ser dito. Se pode ser dito, não é o Tao.

Mas podemos dizer algumas coisas, como quem esgravata as camadas mais superficiais e exteriores de uma parede e se põe a querer explicá-la (à parede) pela cal que lhe fica nas unhas.

Integrar Leão implica integrar a energia do Pai, do Espírito, do Sol, do Coração, da Irradiação, do Brilho, do Orgulho, e da (auto)Consciência. Implica ser um centro irradiador, calorífero, e luminoso. Implica expressar, mas mais do que isso ser, Amor. Luz. Consciência. Uma unidade integrada, potente, e irradiadora de Vida.

Isto implica, exige, e propõe não só estar em contacto com o Centro respectivo, como aumentar o contacto (intensidade e frequência) com esse Centro, como – no mínimo, para que o milagre se possa cumprir – descobrir esse Centro. Isto significa que, aconteça o que acontecer nas nossas vidas, em última análise, destina-se a permitir-nos cumprir esse desígnio, propósito, e destino.

No nosso eco-sistema solar, o Sol é o centro deste sistema particular.

No nosso eco-sistema humano, o Coração é o centro de cada sistema (indivíduo) particular.

Mas grande parte da humanidade ainda não despertou para esse centro, e vive preso dentro da cegueira instintiva do umbigo – literal e metaforicamente falando – e, de certa maneira, num mundo interior relativamente aprisionado à que chamaríamos de “inconsciência lunar”; pois se não há centro, não há Sol; se não há Sol não há luz própria, e aquele/a que não vive e brilha irradiando a partir do seu próprio centro e com a sua própria luz está lunarizado, dependente, alienado, infantilizado: tem que orbitar em volta de qualquer coisa, e permanece o seu Sol quase apagado, a brilhar no fundo das águas; e da mesma maneira que a Lua precisa de mundo para se (pre)encher, empanturrando-se sem nunca se saciar, numa perpetuação de dependências e manutenção das incompletudes, o Mundo precisa de Sois que irradiem, o iluminem, e o enri(a)queçam.

O Mundo precisa que cada um de nós, à sua própria escala, brilhe mais e mais, como um Sol, a partir do seu próprio centro, e em todas as direcções em simultâneo: passado, presente, futuro, “cima”, “baixo”, “atrás”, “à frente”, dentro, fora,...

É que o Sol, quando (re)nasce, é para Tudo.

E com os Nódulos a apontarem um percurso (colectivo, e percorrido por cada um) que toma Aquário como ponto de referência, ou partida, e Leão como direcção a seguir (direcção, não destino), é evidente que estamos todos, cada um à sua maneira, a sermos convocados para nos reinventarmos como mais autênticos, mais amorosos, mais conscientes, mais centrados e em contacto com esse Centro, mais irradiantes, generosos, enfim: mais “divinos”. Ou conscientes. Mais fiéis ao que de mais grandioso pode existir no Centro de cada um de nós. Leão é a criança divina, filha de Deus, ou dito de outro modo, é Deus expressando-se através de cada uma das suas crianças, criações, e criamónias.

E quando Deus, que é Amor (e símbolo do ser humano completamente realizado) quer cumprir-se, não há que estar com cerimónias – a não ser a cerimónia de nos tornarmos como Ele, que é como quem diz, como Nós, e fazermos disso a (nossa) Vida. Em Deus projectamos – somos nós - os nossos ideais, aspirações, conceitos de eternidade, bem, potência, magnanimidade, compaixão, poder, enfim: tudo é, tudo sabe, tudo vê, e está em toda a parte

– e ainda assim, miseravelmente, milhões de seres humanos continuam em romarias semanais, diárias, contínuas, insistentes (e inúteis) a igrejas, a estádios e outras catedrais de consumo, a redes sociais, a mesas do café e academias, a corporações, a televisões e écrans, a cursos de astrologia, a curas milagrosas, ao folclore da nova-era-era, a livros, a gurus, a feiras, a médicos, a mestres, ao banco, à lua, a marte,

a ver se o encontram.

Diz Kabir:

“Eu me rio quando ouço que o peixe tem sede dentro da água. E tu não compreeendes que o que há de mais vivo está no interior da tua própria casa; e por isso andas de cidade sagrada em cidade sagrada, com um olhar confuso. Kabir te dirá a verdade: vai onde quiseres, a Calcutá ou ao Tibete; se não conseguires descobrir onde tua alma se esconde, para ti o mundo nunca será real”.

Então o Nódulo Norte em Leão (entre Maio 2017 e final de 2018), é um convite renovado a tornarmo-nos, assumirmo-nos e cumprirmo-nos, mais e mais, como o Deus que (já) somos e que estamos aqui para actualizar, idealmente a cada passo, a cada respiração, a cada escolha, a cada gesto, a cada momento – nem interessa tanto isso do onde ou quando, pois alma que é alma é-o a todo o momento, é só na ilusão e nas preferências separativas do ego que existe (ora, ora) melhor espaço, melhor tempo, do que Agora.

O Nódulo Norte em Leão é pois símbolo da tarefa de fazer mais ouro; desenterrando-o, tirando-o de dentro, de cima, dos lados, sabe deus: ou dedicando-nos à grande obra alquímica da transformação do chumbo que ainda arrastamos; mas como é o Nódulo Norte e Leão, preferimos concentrar-nos na imagem gloriosa que coroa (como a de louros, não sem os seus espinhos) o sucesso do trabalho alquímico: o ouro, símbolo da perfeição e incorruptibilidade do Espírito, a brilhar.

E distribuir generosamente o filão.

A chatice é que não podemos dar o que não temos,

E não podemos ter o que não fizermos, não podemos ser o que não fizermos de nós.

Temos de começar por aprender a ser saudavelmente egoístas e pôr, nem que temporaria e estrategicamente, o nosso próprio coração em primeiro lugar: o Coração como centro.

Não os caprichos, não os desejos, não as estratégias, não as feridas, não as máscaras, não as performances, não as mentiras: mas a verdade que se encontra no Centro. Qual verdade? Qual centro?

É isso mesmo que somos desafiados a descobrir.



III

São tempos de Nódulo Norte em Leão. Estamos todos a aprender a ser ainda mais humanos. Ou divinos, o que vem a ser, afinal e absolutamente, a mesma coisa. Reapropriarmo-nos dos atributos mais “positivos” em que o nosso coração acredita, e de todos os possíveis, aqueles que nos são próprios, naturais, espontâneos, e possíveis: e depois, inundar o (nosso) mundo com a nossa própria luz. Com uma condição: é necessário começar por nós próprios, para podermos – realmente podermos – vir a desembocar realmente nos outros. 

Repito, porque alguns de nós aqui conhecem o simbolismo astrológico e o seu próprio Mapa (mapa de estradas, mapa do caminho, ou mapa de encruzilhadas?), este processo só poderá ser minimamente cartografado e entendido, no que respeita a cada um, através da complexa malha energética resultante do Sol por Signo, Casa e Aspectos no mapa individual, por tudo quanto se refira ao signo de Leão no nosso próprio Mapa e na nossa própria vida, e consoante o nível de consciência em que cada um vive, contacta e expressa as energias divinas da Vida.

Explicar isto mais detalhadamente transcende o objectivo deste texto, que pretende ser apenas um apontamento sobre o que estamos todos, cada um à sua maneira, a viver por estes tempos - ou melhor: um apontamento sobre aquilo que eu creio que estamos todos, cada um à sua maneira, a viver por estes tempos. Cada um tem a sua miopia e é com a sua própria cegueira que tem de viver – e com o Nódulo Norte em Leão temos que nos chegar à frente, sermos audaciosos e humildes o suficiente para expressarmos com orgulho o que nos vai dentro. Assumir o que fomos, o que temos sido, o que temos feito, e temos criado – até agora, claro - e seja como for isso agora não interessa assim tanto: não tanto, pelo menos, como tudo o que queremos, e aspiramos, tornar-nos: daqui para a frente. E isso é que interessa, quanto mais não seja, porque isso, pelo menos, podemos.



IV

E o chumbo, nesta metáfora alquímica em que Coração é ouro e o ouro Espírito, Alma, divindade?

O chumbo são os medos, a ignorância, e as ideias que nos mantêm prisioneiros de um lugar dentro de nós chamado “aquém”: aquém de nós próprios, aquém da nossa verdade, aquém do nosso potencial, aquém de um saudável senso de orgulho no nosso próprio brilho, ou de consciência da nossa própria luz e condição.

O chumbo, aqui, são as ideias e ideais que nos aprisionam e escravizam; o chumbo são os núcleos ao redor dos quais orbitamos – famílias, estatutos, crenças, indivíduos significativos que “brilham” e sobressaem, são a figura que se destaca contra o fundo (a um certo nível, Leão significa a figura central que brilha, e Aquário os que orbitam à sua volta – ou na sua sombra – para se banharem e beneficiarem da luz emprestada, pagando o preço de nunca desenvolverem a sua própria).

O chumbo são os medos de assumir responsabilidade integral pela própria vida.

O chumbo é a tremenda dissociação de nós próprios, que em algum momento do passado nos permitiu sofrer menos e não ter que lidar com a própria dor, invasiva, persistente, mas tantas vezes ignorada. Parece que dói menos se não lhe der atenção. Dói menos, o quê? Dor, qual dor? Eu? Eu nem dói! Eu não dói. Nem sinto. Na verdade, nada me dói, mas também nada sinto.

É que ao afastar-me da dor, separando-me dela, separo-me simultaneamente do meu centro, da minha riqueza, da minha verdade, da minha essência: não porque a dor seja o centro com o qual preciso estar em contacto, mas porque a caminho do centro a partir do qual preciso viver tenho, invariavel e inevitavelmente, de atravessar, ser atravessado, permitir, experienciar, viver – e depois, libertar – essa dor.

“Não se sobe um degrau na luz sem descer um degrau nas trevas” - nem ninguém se ilumina, como dizia o Jung, “imaginando figurinhas de luz”.

É preciso fazer o trabalho. É um trabalho alquímco. E enquanto estamos encarnados, temos alambique.

As boas notícias são que esse trabalho é inevitável, por estes dias (meses, anos.. tempos). O que é opcional é o nível de resistência, preguiça, acomodação, ou prontidão, entusiasmo, e confiança com que nos dedicamos a ele.

É aqui que entram os eclipses em Leão/Aquário (que acontecem sempre que uma Lua Cheia ou uma Lua Nova coincidem com a posição dos Nódulos, por isso, durante o trânsito dos Nódulos  Leão/Aquário os eclipses dão-se nesse eixo),

É aqui que entram os trânsitos mais importantes desta altura,

É aqui que entra a Consciência humana, o seu poder de escolha, e a sua responsabilidade.


(continua na parte 2)
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