3 de março de 2017

a retrogradação de Vénus e o renascimento de Afrodite


A oposição Júpiter / Urano, o aspecto dominante por estes dias (entre Dezembro de 2016 e final de Setembro de 2017), é um aspecto de libertação de tensões acumuladas

às vezes das formas mais inesperadas.

e de revelações súbitas

e de decisões irrevogáveis (ahahahah penso sempre nos políticos quando oiço "irrevogável" - nos portugueses, nos franceses, e na política em todas as línguas desta espécie de humanos)

e de soluções novas para problemas antigos que eram sem solução - até serem solucionados, de súbito, e de golpe, por um golpe de asa, por um insight, por um rasgo, uma epifania, um relâmpago

às vezes é um aspecto de alívio, acompanhado da expressão "graças a deus" na língua do religioso povo de Camões, especialmente quando Neptuno está em Peixes simbolizando a Vida a que devemos tudo, e a que chamamos tantas vezes deus, quando o próprio deus não sabe como é que se chama

e de golpes de sorte

e choques inesperados

e às vezes de tudo isto em simultâneo

embora

Marte já tenha começado a afastar-se do aspecto exacto Júpiter-Urano

e se aproxime do trígono com Saturno

e a Lua hoje, enquanto este texto é escrito, esteja em Touro:

indicadores de uma certa "estabilização", para não dizer "contenção" das energias

- o que levaria, no pior, algumas panelas em pressão a implodir, dando-lhes a força para aguentarem ainda mais um pouco, em vez de libertarem algum vapor -

e explodirem mais à frente, por acumulação de_pressão

seja como for são energias que se podem representar simbolicamente

como a bomba-relógio

a ameaça de bomba

que pode até nem explodir

mas deixa tudo em alerta

ou numa pilha de nervos

ou então

esta oposição de Júpiter-Urano, exacta hoje mesmo pela 2ª vez, abre uma oportunidade privilegiada para os audazes ousarem

correrem os riscos, abraçarem novos projectos, expressarem o que os atormenta e incomoda, darem passos decididos rumo à próxima etapa

(uma viagem de mil passos começa com um passo, e já deveríamos todos ter dado pelo menos o primeiro - a ponte é uma passagem para a outra margem e não se atravessa sozinha)

e um dos riscos mais ousados a correr nas próximas semanas talvez seja abrir o Coração (a Si mesmo antes, para poder abri-lo aos outros: é que a Vénus vai retrogradar em Carneiro)

- abrir o Coração a Si mesmo: não aos caprichos do ego, não aos desejos da natureza inferior, não aos sonhos nascidos do transe - 

mas abrir o Coração ao Si mesmo: e reflectirmos todos, a partir desse lugar e com uma coragem brutal sobre a qualidade dos valores que temos privilegiado nas nossas vidas, e a maneira como isto se reflecte nos nossos relacionamentos,

- não deixa de ser atípico que nos sintamos todos um pouco contrariados, frustrados, impacientes, confrontados, exigidos pelos outros e pelas circunstâncias, em alturas como estas -

e uma das estratégias oportunas e - presunção e água-benta: inteligentes -

agora

é perguntarmos a nós próprios: quanto respeito e Amor pelo Espírito que somos, mais além da marioneta que vestimos, e com a qual vivemos às vezes tão identificados, defendendo-a como se dependesse dela a nossa Vida, quando o que depende dela é a nossa morte, ou sobrevida,

manifestamos nós nos nossos "valores", i.e., com o que prioritizamos com as nossas escolhas, tomadas de posição, estratégias de relação, prioridades, e investimentos?

Afinal de contas, temos todos um Solo Sagrado para proteger e defender,

e não é, necessariamente, aquele pelo qual nos afirmamos, justificamos, defendemos, lutamos,

com o qual, enfim:

nos enganamos.

... de modes que,

abençoada retrogradação de Vénus (retrógrada a partir de 4 de Março 2017, mas que abriu - em rigor - a 30 de Janeiro este "portal")

que nos permitirá rever a natureza do nosso próprio egoísmo, cegueira, e traição do "verdadeiro" Eu,

(para que nos absolvamos - e ao Mundo inteiro a seguir, depois da Realização de que fomos nós a interpormo-nos no caminho do Amor e da Vida, que é o próprio Caminho)

enquanto a Vénus revisitar Peixes (de 3 a 29 de Abril), signo da sua exaltação.

E depois, quando regressar a Carneiro, a 29 de Abril, e depois de mergulhada nas águas baptismais do Coração,

simbolizar uma espécie de retorno - e em força, com um novo fôlego, e Qualidade - da inaudita capacidade humana de Amar, com ainda mais Coragem, o ventre ainda mais fecundo, capaz de dar frutos ainda mais belos ao Mundo, e o Coração ainda mais aberto, mais capaz de dar o peito às balas - e às flechas de Cupido, às correntes de Philya, e à grandeza de Ágape,
grávida, como a Virgem Maria, do Cristo em seu ventre,
sendo que o Cristo é símbolo da Alma Humana que se resgata a si própria por entre as frinchas que se abrem, mercê das experiências e da maturação, na armadura da personalidade de que a Alma se reveste para encarnar, isto é (literalmente): fazer-se carne.

http://sinte.com.br/revistaterapiaholistica/images/Venus_Gravida_800x400_Henrique_Vieira_Filho.jpg

e esta retrogradação de Vénus não é só o resgate da "verdadeira" Potência Criativa e Criadora que traz frutos de Luz, e Amor, ao Mundo, rendida impotente durante tanto tempo soterrada debaixo dos escombros dos materiais densos da personalidade:

é uma espécie de "(re)nascimento de Afrodite", como representado no quadro do Botticelli que ilustrou e nos recorda, enquanto houver no Espírito Humano espaço ao mythos e à arte (e no Espírito Humano há sempre) que Afrodite - na versão de Hesíodo - é nascida da espuma (aphros), sendo esse, aliás, o significado original do seu nome: nascida da espuma das águas de Neptuno.

Neptuno é o regente de Peixes, e a espuma nasce da agitação das águas: sendo que as águas, simbolicamente, simbolizam tudo o que no Humano é sentimento, sensibilidade, estética, e Alma.

http://www.mitologiaonline.com/wp-content/uploads/2016/06/deusa-afrodite.jpg

Mas cumpre também recordar que - numa das versões - do sangue do mesmo falo (o falo castrado de Urano, pela foice empunhada por Saturno/Cronos) nasceram também as Erínias, ou as Fúrias, que puniam os mortais criminosos: o dramaturgo grego Ésquilo escreveu uma peça ("As Eumênides") onde elencou três Erínias (Alecto, Megera e Tisífone) que puniam, respectivamente, os delitos (os pecados) morais, os delitos contra o matrimónio, e os assassinatos.

« posto que o castigo final dos crimes é um poder que não corresponde aos homens (por mais horríveis que sejam), estas três irmãs se encarregavam do castigo dos criminosos, perseguindo-os incansavelmente até mesmo no mundo dos mortos, pois seu campo de acção não tem limites.

As erínias são convocadas pela maldição lançada por alguém que clama vingança. São deusas justas, porém implacáveis, e não se deixam abrandar por sacrifícios nem suplícios de nenhum tipo. Não levam em conta atenuantes e castigam toda ofensa contra a sociedade e a natureza, como por exemplo, o perjúrio, a violação dos rituais de hospitalidade e, sobretudo, os assassinatos e crimes contra a família » (in https://pt.wikipedia.org/wiki/Er%C3%ADnias)
William-Adolphe_Bouguereau_(1825-1905)_-_The_Remorse_of_Orestes_(1862)

E já agora, que estamos com a mão na Mitologia - esse inesgotável manancial de sabedoria sobre a Alma -, recordemos também que Afrodite tinha, para os Gregos, dois aspectos diferentes: Afrodite Urânia, a do amor divino, e Afrodite Pandemos, a dos desejos lascivos.
E por que não reflectir, a partir da imagem abaixo, tão sugestiva - uma reencenação moderna, carnavalesca, do Nascimento de Afrodite - sobre os significados do Carnaval?

« Entre os antigos egípcios havia as festas de Ísis e do boi Ápis; entre os hebreus, a festa das sortes; entre os gregos antigos, as bacanais; na Roma Antiga, as lupercais, as saturnais. Festins, músicas estridentes, danças, disfarces e licenciosidade formavam o fundo destes regozijos. Pelo seu lado, os gauleses tinham festas análogas, especialmente a grande festa do inverno a que é marcada pelo adeus à carne que a partir dela se fazia um grande período de abstinência e jejum, como o seu próprio nome em latim "carnis levale" o indica » (https://pt.wikipedia.org/wiki/Carnaval)

http://www.kylie.com.br/wp-content/uploads/2012/12/act-1.jpg

Isto tudo, para falar da Oportunidade. É que Vénus não significa ("apenas"), como nas versões modernas, superficiais, popularuchas e ignorantes da Astrologia, destinada ao consumo do grande público, "amor" e "dinheiro".

Ai, Vénus retrograda? Rever os relacionamentos. E o dinheiro. Cuidado: não gastes, e não inicies um relacionamento. Tens de ver se essa pessoa te "serve".

A Astrologia não é tão interessante para prescrever comportamentos ou "prever" e "adivinhar" o que vai acontecer (?) quanto para compreender o que pode acontecer - se nós, enfim, fizermos a nossa parte.

E fazer a nossa parte requer Consciência.

E conquistá-la, a duras penas às vezes, parece: foi para isso que nós Espírito nos tornámos Carne, para começar.

Não para nos identificarmos com ela: mas para nos encontrarmos - e reconhecermos como Espírito - a meio dela *

Vénus rege Touro e a identificação com o aspecto Forma na Vida.

E Touro rege os bovinos.

Encarnar é vestir um bife.

Feliz Retrogradação, Queridos Bifes *

E que Afrodite Urânia nos Inspire, hoje e sempre - e cada vez mais.


<3 p="">Vamos todos precisar dessa Inspiração nos próximos meses. In-spiritus, por_tanto.
<3 p="">
<3 p="">E no final de Setembro de 2017 havemos de voltar a falar.
<3 p="">
<3 p="">over and out *
<3 p="">
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