27 de abril de 2016

Aviso / reminder

Avisa-se, e lembra-se

Encontrou-se um gato. Perdeu-se um gato. Miou um gato. Capou-se um gato. Miou-se um pouco. Mirou-se um pouco. Virou-se um tanto. Miou um tonto. Ruiu uma casa. Aluiu uma rua. Casou-se um Rui, transbordou um rio, miou um pouco. Riu-se um rio, aluiu um louco, casou-se outro tonto, cansou-se mais um pouco, e quem casou entretanto, ruiu mais um tanto. Um gato perdido ainda era pouco, um rio casado é só mais um louco.

Cantou-se o fado, mirou-se o distante, subiu-se um monte, mirou-se ao espelho, viu-se o espanto, subiu-se o mirante, desceu-se outro tanto.

Ruiu outra casa, casou-se outro gato, acasalou outro Rui, aderiu mais um louco, esgatanhou-se mais um pouco, esgatanhou-se outro tanto, miou-se entretanto.

Flui o mesmo rio, que já não é o mesmo entretanto, e do cimo do mirante, ainda se vê algum pouco, mas já não se vê tanto.

Perdeu-se um gato, encontrou-se um louco, descontrolou-se um Rio, e um Rui, capou-se um monte, ri-se num pranto.

É só mais um momento de Vida neste largo da Graça, pela Graça do que é largo, e ecos de gatos e miados e loucos fazem lembrar dos rios que ecoam e dos poucos, que juntos são tanto e sozinhos são tão pouco, que fluem e riem e aluem por todos os largos, e todas as graças, e todos os cantos

Deste mundo de loucos e encantos em que se capam e se casam ruis enquanto miam gatos pelos cantos, e se perdem, e se encontram, com nós e laços e como nós outros tantos e tão loucos

Ruindo por todos os lados

Rindo por todos os cantos

Enquanto se fazem ruas e casas, e se desfazem rios e mirantes, e abundam por todos os lados os mortos e os vivos que se fazem e renascem a todos os momentos, em todos os cantos, em todos os risos, em todos os cantos

De um mundo redondo que continua a girar de tal maneira que só um gato perdido é capaz

De se encontrar.

Afixe-se, para que todos se lembrem, e para que todos cantem, e chorem,  e riam, e quanto os ruis dançam, todos se possam esquecer, e recordar, dos silêncios que não soam, e se cantam *

Por este e qualquer outro largo, e canto, em que os cantos são redondos e é esse o seu encanto,

Pela graça do que é largo, e graças a Deus apesar de ser redondo, ainda se encontram, e cantam, hinos à Vida que encanta

Em cada canto *

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