25 de abril de 2016

25 de Abril, em 2016

... estive a desfrutar, hora e meia atrás, o mar de gente na Av. da Liberdade que celebra o 25 de Abril, comovido pela movimentação colectiva e pela noção da força de um povo Unido, e que (só) assim: jamais será vencido.

Os ideais do 25 de Abril estão vivos, graças a Deus, e pelos vistos, no coração de tantos portugueses 🌹

... dei por mim também a pensar que este ano - não sei - este 25 de Abril tem um gosto especial, e não vejo que seja puramente projectivo, subjectivo, isto é: exclusivamente "meu"... e depois a mente astrólica (anónima) ligou-se e às antenas: acontece-me quando algo me chama a atenção como às orelhas dos gatos, que as espetam quando vêem qualquer coisa que os interessa: e também eu, como os gatos, apurei os sentidos, espetei as antenas - e fui fazer Mapas :-D


(em vez de dar um pulo, para caçar o objecto do interesse como fazem os gatos, fiz um Mapa: donde se prova o quanto ainda tenho de evoluir para chegar ao nível de consciência - e de agilidade - de um gato!)

... e - confesso, nunca tinha feito o Mapa do 25 de Abril - percebi a "força" do que senti hoje; nem tanto nas pessoas em particular, mas no "ar", energeticamente: e comovi-me ainda mais, com a beleza simbólica do Mapa em que tocou, na noite de 24 de Abril - rezam os hagiógrafos da revolução - o "E depois do adeus", do Paulo de Carvalho -

(eu não era nascido, por essa altura, para astrologar a coisa preciso confiar na História como confio nas horas de nascimento que me trazem os clientes, mais a duvidosa memória das suas mães ou a treta das certidões de nascimento; ainda assim, ou por isso mesmo, mal "sube" da revolução, espírito revolucionário que me move, tratei logo de arranjar um casal improvável que acasalasse e de cuja cópula eu pudesse nascer, por muito improvável que a coisa fosse: mas a coisa deu-se, e menos de um ano depois do 25 de Abril, já eu ca_tava. E Jacques Casteau... ;-)

adiante.

ao fazer os Mapas da noite de 24 de Abril, o das primeiras horas da manhã do dia 25, e o daquele momento em que me arrepiei perante a força de um povo - quase unido, até agora jamais vencido - a descer a avenida da Liberdade, um par de horas atrás, percebi a força do que senti hoje: a força do 25 de Abril como símbolo, arquétipo, sonho, esperança e natureza de um povo magnífico e curioso, merecedor de ser estudado e honrado com carinho e reverência, por quem o queira e consiga, e como nunca até agora foi feito (tirando algumas honrosas excepções, do pouco que conheço, e onde incluo o Agostinho da Silva, o Fernando Pessoa, o Lima de Freitas, e mais uns poucos cujos nomes não me lembro agora)

o 25 de Abril foi uma expressão manifesta e magnífica - repito - da essência, da esperança, da natureza, e do desejo de liberdade, e de paz, de um povo por natureza pacífico e por carácter escravizado (afinal, como dizia o Nietzsche, "quem não obedece a si próprio será comandado") que sonhou um sonho e teve a audácia, e a dignidade, de o arriscar, e assim, conquistar, pelo menos parcialmente; pelo menos temporariamente; pelo menos, como tentativa de actualizar, ainda que imperfeitamente, essa possibilidade de paz e liberdade - afirmando, para tal efeito, a força das suas armas, mas de uma maneira também ela única e tipicamente portuguesa: enchendo de cravos as espingardas, enquanto se tirava da ponta das espingardas os escravos.

há ressonâncias energéticas interessantes, aliás, entre o Mapa do 25 de Abril e o do Martin Luther King, imortalizado por tudo o que fez em prol do manifesto que começava por "I have a dream",

e o 25 de Abril foi o "I have a dream" português naquela altura, e graças a deus, porque este é um país que precisa de um Sonho.

mas mais magníficas são as interacções energéticas (astrológicas, planetárias, zodiacais) entre o Mapa do 25 de Abril original e o da tarde hoje: é demasiado técnico e picuinhas para o (d)escrever aqui, mas sintetiza-se no ideal com o poder de mobilizar o espírito de um povo.

hoje, passados 42 anos e meio ciclo de Urano, o planeta da liberdade,

com a Lua em Sagitário, e Júpiter em Virgem, e Neptuno em Peixes, todos eles activando pontos fulcrais do mapa do 25 de Abril, mostrando o desencontro - mas também a necessidade de resgate - desse "velho" sonho eterno,

foi comovente, e belíssimo, acompanhar de perto, ao som de Zeca Afonso, o desfile pacífico descendo a avenida a que Urano dá nome, e que este povo um dia honrará.

Vénus exaltada em Peixes, e Júpiter domiciliado em Peixes, e Neptuno no ascendente do "E depois do adeus" (! quão literal, e glorioso no seu simbolismo, pode isto ser?), e uma quadratura-T mutável com Júpiter (em Peixes) como ápice da tensão Lua-Neptuno (o sonho de um povo),

e os trânsitos actuais de Júpiter-Saturno-Neptuno, formando outra quadratura-T mutável, e hoje exactamente: a Lua a activar esses pontos-chave,

e mais ainda: Urano (nos céus) em conjunção exacta com a conjunção Quiron-Mercúrio (em Carneiro) no Mapa da revolução de 1974 - tirem-me os pregos, as tampas, as grades, e as rolhas -

tudo isso

adicionando ao poder arquetípico deste sonho colectivo, deste destino colectivo por cumprir, deste apelo do espírito santo que nos move e anima, e do quinto império que por nossa via ainda se há-de cumprir,

e Júpiter (em trânsito) diametralmente oposto à posição da revolução natal, e Saturno em quadratura, e Neptuno mesmo lá em cima:

o que é que estamos a fazer do nosso sonho,

que realidade é esta tão distante do nosso ideal e da nossa necessidade mais profunda,

como é que se dá este salto, cobre este hiato, estendem as asas para a frente e para trás para que tragam para o centro o melhor do que somos, fizemos, e havemos de fazer

para nos cumprirmos, colectivamente, como povo

como sonho,

como poucos sabem, sentem e podem,

se é que podemos,

se é que ainda sonhamos,

se é que realmente queremos *

(ainda estou curioso para ouvir o discurso do Prof. Marcelo na Assembleia, hoje de manhã: tenho o feeling que o representante do povo há-de ter tido coisas inteligentes para dizer sobre a democracia e 25 de Abril, particularmente hoje, particularmente este ano, particularmente a quem, por muito esquecido que esteja do sonho, não pode nunca - em rigor - viver ou morrer sem o recordar)
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