25 de janeiro de 2016

Mercúrio directo - 25 Janeiro 2016



... e bom.

hoje, daqui por umas horas (cerca das dez da noite), Mercúrio termina a sua primeira retrogradação do ano;

e embora isso não seja, por si só, "suficiente" para podermos esperar uma mudança profunda ou sequer significativa na energia colectiva, é definitivamente um dos ingredientes importantes, e digo-vos por quê, na minha percepção.

- além de que - é evidente - todas estas coisas "tocam" (a) cada Um de maneira diferente e específica, por motivos que não vou agora explicar (o Mercúrio ainda está retrógrado, não há muito por dizer, e muito menos, explicações a dar) ;-) :P

mas de uma forma, por assim dizer, "genérica", convido-nos a Tod@s a con_siderar o seguinte (é só a minha percepção, a minha miopia, a minha leitura, e o meu preconceito - e as coisas, como dizia o meu saudoso Manuel Lopes, são o que são e valem o que valem)

inda assim, aqui fica, à laia de balanço:


este Mercúrio retrógrado (5 a 25 Janeiro) não foi, definitivamente, uma das mais fáceis retrogradações do Mensageiro de pés alados.

Para já, porque em rigor (para mim, é necessário que recuemos um pouco mais ainda para compreendermos aquilo a que me refiro) não começou propriamente a 5 de Janeiro, mas a 18/19 de Dezembro. Esse foi o momento em que algo ficou suspenso, e se abriu um "portal" para - deixem-me pôr assim - realidades, mundos, e dimensões "paralelas" que todos viríamos, de uma maneira ou de outra, a visitar "obrigatoriamente" nas semanas que se seguiriam.

Mesmo que, a outros níveis, a "vidinha" tivesse continuado - celebrou-se o natal, passou-se o ano do calendário, fizeram-se promessas e votos, comeram-se passas, apanhou-se frio e chuva (e não falo só de baldes de água gelada na tromba), etc. etc. etc., mas uma parte de nós, de cada Um de nós, ficou em suspenso, lá atrás, enquanto uma outra parte de nós, à laia de Alice, entrou pela toca do coelho adentro, indo parar (ou mesmo, sem parar) a uns lugares muito... hum... sabe deus. Só agora, digo eu, é que começamos a perceber, se é que começamos (um gajo não pode generalizar: vamos dizer que uns sim, uns não, outros maizomenos, outros antes pelo contrário: o que seria de nós sem a diversidade na fauna, perdão, nas experiências subjectivas?)

mas em comum, e para quem se lembra do Matrix, foi como se tivéssemos todos tomado, em simultâneo, os dois comprimidos: o vermelho, e o azul. E não estou a falar de viagra. Antes fosse!, ter-nos-íamos fornicado de outra maneira completamente diferente e, provavelmente, com muito mais prazer do que angústia, tristeza, ou qualquer outra coisa assim, na linha da disforia: como imagino, acredito, e pude observar, recorrentemente, durante as últimas semanas, dentro, fora, e a toda a volta.

De modo que foi como se tivessemos todos tomado os dois comprimidos em simultâneo: uma parte de nós foi fazer uma viagem, e outra continuou a seguir caminho.

(isto não é a verdade, isto é só a minha teoria, ou melhor ainda, uma tentativa de a explicar, partilhar, e pôr em comum. Felizmente não gasta papel, de modo que também não serve para limpar o rabinho a ninguém. E vendo bem, no grande esquema das coisas, nem sequer me sinto inclinado a pedir desculpa pelo tempo que possam perder a ler isto: depois de todo o tempo que já "perderam" (ou ganharam, como veremos), o que são, afinal, mais cinco minutos? E até pode ser - quem sabe? - dos melhores investimentos de tempo que façam, enquanto é tempo. Ou então não. Who cares, really? É só mais uma experiência ;-) )

com uma parte de nós "congelada", ou suspensa, para um certo nível de "realidade" exterior, objectiva, cronológica, social, relacional, produtiva, enfim, mais virada para "fora",

e outra parte de nós disparada numa direcção (ou dimensão) que nem dá para explicar,

- mas que podemos dizer assim: para dentro, para trás, para baixo, para realidades alternativas, paralelas, para um intervalo, um parêntesis, um retiro, um buraco, uma estratosfera, uma deprè, um portal, outras possibilidades de vida, outras lógicas, outras regras, e dimensões, perigosamente parecidas com um misto de arqueologia, wishful thinking, e alucinação perigosa, precipitada, sem remorsos ou culpa que dominassem, e nada a fazer senão viver e seguir por esse caminho,

enquanto a outra parte de nós, tanto quanto possível, continuou a tentar manter-se funcional, operacional, e a enganar as pessoas, a começar por si próprio, repetindo para si mesmo que está tudo bem, está tudo bem, -

e a outra – ah!, as vozes que nos têm massacrado, e não falo das campanhas presidenciais – a levar-nos na sua própria viagem e aos recessos aonde teria sido tão, mas tão mais fácil e conveniente não ter ido, com tanto de irresistível quanto de irracional, ou - sabe deus - de uma lucidez tão insuportavelmente extraordinária - embora sem ponta por onde pegar, nem forma de se ligar àquilo a que nos habituámos a chamar a nossa “realidade”, e por isso mesmo, tão difícil de aceitar, validar, valorizar, ou sequer: saber o que fazer com ela

deixando-nos assim, de um lado, interessados em tudo menos na suposta realidade concreta e nas circunstâncias “reais” das nossas vidas – ou melhor, não totalmente capazes de interagir com inteireza, integridade, presença, escolha, poder, ou volição, para não dizer alegria, determinação ou entusiasmo,

como se ficássemos assim, sob o efeito da ketamina, que além de ser dissociativa e com um grande potencial alucinógeno, é sedante, analgésica e anestésica – com a diferença de que qualquer dor existente não só não passou, como ficou ainda maior ou mais evidente perante a nossa própria inacção, passividade, apatia, ou – pior ainda – perante a agressividade com que o ser humano costuma tentar defender-se da sua própria dor, e com que alguns de nós – digo eu – deram por si a lidar, para tentar sobreviver, com a evidência inconfessável, e inegável, da sua própria fragilidade.

tudo isto, evidentemente, é apenas fruto da minha própria alucinação – porque afinal o mundo está cheio de avatares e ninguém deu por nada disto; ninguém viveu nada parecido; e toda a gente tem estado no comando da sua própria vida com o qi, o qe, e o qs totalmente integrados; e se alguém porventura sofreu alguma coisa nas últimas semanas, pelo amor de deus, foi pura e simplesmente por causa dos outros: porque dentro? naaaa. Já são muitos anos a evoluir, e isto de ficar entalado entre planos, quase como se congelado, é só para meninos. Se alguma coisa nos perturbou, foi claramente por culpa dos outros. De tal modo que se não fossem os outros, nem sequer havia nada que nos incomodasse.

Claro que durante este período, a neve, a chuva, e o gelo, e o frio, e o muco, e a gripe, e a sonolência, foram apenas acidentes de percurso, não tendo nada de simbólico, essencial, ou de contraparte dos mundos internos.

Podemos conceder que podemos ter tido um momento ou outro menos “bom”: mas isso é “normal”. Podemos reconhecer que reencontrámos pessoas que não víamos há muito tempo. Mas isso é normal. Podemos reconhecer que tivemos momentos em que explodimos, e nos precipitámos, e fizemos coisas que não teríamos feito em circunstâncias “normais”: mas isso é normal. Podemos reconhecer que experienciámos perdas, e tivemos de fazer lutos: mas isso é “normal”. Que lidámos com o desencantamento, e que por momentos ficou muito difícil aceitar-nos a nós, e às pessoas, como somos ou – pelo menos – como temos parecido que somos.

Mas dissociação? Congelamento? Ketamina? 19 de Dezembro? Suspenso no tempo? A toca do coelho abaixo?

Naaa.

E mesmo que tenha sido, isso agora é tudo passado.

Porque agora,

com o Mercúrio a virar directo finalmente, e outras coisas que agora não me apetece explicar (fosga-se!, para quem não queria entrar em grandes explicações... vai lá, vai)

parece que o despertador tocou, e não há snoooze que  nos valha (teremos descoberto também, entretanto, que o snoooze faz mal?)
parece que acordamos todos, assim, de um transe do kaiaio

ou, pelo menos,

é definitivamente hora de acordar.

A realidade chama, e agora podemos responder

Agora podemos.

E mesmo que não tenhamos muitas energias em Peixes, nem Capricórnio, natais ou progredidas, que foram as que mais levaram com isto,

É possível que este meu episódio de ontem, que conto a seguir, vos faça sentido ou sorrir.

Era cedo, levantei-me para ir votar e ainda ficar com o dia todo para fazer coisas úteis

Fui tomar café e na mesa ao lado estavam mãe e filha: a mãe de olhos no telemóvel, no facebook, e a filha de olhos na mãe. E no momento em que me sento ao lado delas, diz a mãe para a filha:

“Olha aqui” (passando-lhe o telemóvel, provavelmente mostrando um vídeo) “este peixe estava congelado. Puseram-no dentro de água, reavivou”

A filha, incrédula, com um olho na mãe e outro no peixe, mas sem chegar ao estrabismo,

E eu, silencioso e divertido, escutando, observando a rigorosa sincronia da vida e sendo recordado mais uma vez – pela enésima vez – da mais evidente das evidências: tudo comunica significado e sentido, quando reconhecemos nos mais ínfimos acontecimentos da vida a voz de deus, falando connosco, e recordando-nos que está tudo certo, está tudo bem, está tudo a tempo, e o que não quisermos ver, ouvimos: pois deus fala, permanentemente, pelas bocas dos outros.

E às vezes, escreve pelas suas mãos.

E isso é mais comovente ainda

Do que a ilusão de que o que escrevo sou eu,

Mesmo que o escreva com as minhas *

E agora, considerem final_mente a minha teoria:

O tempo do sono acabou.

Acordemos pois todos, e mãos à obra:

Não tarda nada é Ano Novo. É vida nova. Muito mais inteira, se não esquecermos o sonho que sonhámos,

E apenas possível

Se não olharmos mais para trás.

(pelo menos... até à próxima retrogradação *)


Feliz Mercúrio Directo, Querid@s Tod@s,

E que este tempo vivido, passado, dispendido, investido,

te retorne mil vezes sob a forma de percepção concentrada, destilada, lúcida.

- afinal, na vida o que interessa não é a quantidade, nem de tempo, nem de nada,

mas a qualidade com que nos fazemos Presentes – e isso está além da medida.

Pois é este o meu Presente para Ti, aqui e agora,

E vá lá, ainda a tempo: ‘inda faltam duas horas: dá para ler outra vez.

O que não dá, mesmo, é para continuar a dormir *

Quero dizer, dar dá: mas tens a certeza que queres?

É que para sono já basta o que basta,

e mesmo que não concordes, o que realmente importa é que acordes *

É tempo de voltar à Vida, e com tudo o que possas trazer contigo vindo de "lá", de La La Land.

É tempo de te aplicares: é novamente tempo de fazeres.

É tempo de sonhares, mas desta ao contrário: usa a "realidade" para viveres o sonho. Ou então,

continua a sonhar, e verás como essa coisa de adiares e continuares a carregar no snoooze

ainda se vai tornar o teu pior pesadelo.

E ainda por cima,

estamos quase no Ano Novo. Hás-de, pelo menos, querer lavar-te por baixo e estares pront@ na segunda semana de Fevereiro

para saudar o Novo Ano.

para criares uma Vida Nova.

- ou, pelo menos, mais inteira,

mais cheia de sonho, inspiração, fantasia, liberdade, transcendência - 

e, para isso, é preciso estar "desconfortavelmente" desperto.

Mas é só ao início. Desconfortável, digo. Porque depois habituas-te,

e nunca mais serás capaz de viver

como se nunca tivesses despertado do transe.

Wake up, bitch!

It's time to make Love; and I don't mean purpurinas e festinhas.

Get up, honey!,

the World is waiting for You *

... and Time waits for no man.




Enviar um comentário