21 de dezembro de 2014

carta ao Pai Natal





Pai Natal,
este ano eu continuo a querer:
que possam todos os seres habitar no Coração
que possam todos os seres libertar-se do sofrimento
que possam todos os seres viver em Paz
que possam todos os seres curar-se.


desculpa ser de ideias fixas e pedir-te o mesmo todos os anos, mas sabes, por muito fixa que seja, não é sequer uma ideia. É uma necessidade profunda do meu ser, que ainda não se curou, nem libertou do sofrimento, nem consegue viver em Paz - enquanto todos os outros não viverem também *
podias começar pelos animais, depois as crianças, depois os mais velhotes, depois os adultos magoados, as plantas e as pedrinhas ao mesmo tempo - pode ser?

enquanto não me trazes a prenda que eu ando a pedir há tanto tempo, eu vou-me embrulhando e oferecendo e desembrulhando a mim mesmo, sozinho e com a ajuda dos meus amigos, mas quero que saibas que contamos contigo também.

também sei que tens muitas prendas para entregar em muitos sítios, que a comida das renas está pela hora da morte, e que nem sempre podes contar com os anões,
mas também oiço tanta gente dizer que quem não chora não mama,
não é que me venha para aqui chorar,
porque te escrevo com Alegria, e Esperança,
mas não custa pedir. Pois não?

então, já sabes:

este ano eu continuo a querer:
que possam todos os seres habitar no Coração
que possam todos os seres libertar-se do sofrimento
que possam todos os seres viver em Paz
que possam todos os seres curar-se.

e tu também, Pai Natal *

PS: o meu pai, que é Rei-Mago, disse para eu escrever a carta esta noite, ao pôr do Sol, porque assim os meus desejos realizavam-se mais depressa. E eu começo a ter alguma pressa. Achas que vou ficar um adulto teimoso, impaciente e de ideias fixas? Então é melhor aviares-me já, ou quando for grande, vou começar a mandar-te mails todos dias...
Enviar um comentário