26 de novembro de 2014

Lua Nova de Sagitário: pão e circo


‘inda mal irrompem os primeiros rasgos, ou raios, da novíssima Lua Nova no optimista signo de  Sagitário e começam já a surgir promissores indícios e motivos para redobrar a esperança

- trazendo-nos em simultâneo, a mim parece, também um prenúncio do que será a travessia de Saturno por Sagitário, a inaugurar  a 23 de Dezembro (mesmo a tempo da consoada!, que isto se há coisa que Cronos não faz é atrasar-se, não fosse "ele" o próprio Tempo - ou pelo menos uma das suas dimensões) - mas isso é outro assunto, ou o mesmo assunto para outro momento, que o momento (este) é mais de sublinhar (ou passar a marcador vermelho vivo, fluorescente e espampanante, bem ao jeito das energias de Sagitário) as boas notícias, os motivos e os indícios de uma esperança renovada.

por exemplo, na segunda-feira começa uma novela nova, chamada “Alto Astral”. Muito apropriado para uma estreia de Lua Nova de Sagitário.

e no domingo, já não há comentário político do José Sócrates no telejornal do serviço público.

com estas detenções recentes, teorias da conspiração à parte, in dúbio pro reo e presumindo a inocência até provas em contrário, ainda assim - e pelo menos aos olhos do meu povo - a justiça parece estar a conseguir (?) ajustar as suas malhas e a apanhar também peixinhos assim mais graúdos neste país de Peixes, a par de todos os outros desgraçados (o peixe-miúdo, da petinga à chaputa) que têm sido processados, penhorados, expropriados e levados à justiça por "crimes" que não afundam bancos, prostituem as instituições, traem ou lesam por aí além a pátria, e por crimes que são modernos, senão na natureza pelo menos no volume, como dividas do IUC e às S.S. (segurança social, entenda-se; qualquer alusão às forças nazis é da exclusiva responsabilidade de quem o imaginou ;)), e outros, enfim, delitos  financeiros cometidos por um povo na miséria e sem alternativas, e até possivelmente justificáveis, alguns deles, por as pessoas terem escolhido dar de comer aos filhos ou pagar a conta na farmácia em vez de facilitarem aos (des)governos o roubo - roubo não,  extorsão - a que as "estratégias de consolidação orçamental" nos tempos da troika  deram origem e cobertura. Mas isso é outro assunto, ou o mesmo assunto para outro momento.

E ainda agora uma pessoa estava ofuscada pelo gold dos vistos, deliciada com a prisão de tantas quadrilhas, começando a sentir-se vingada finalmente por ter sido afundada pelos submarinos, roubada pelos bancos, presa pelo plano de resgate, com a casa penhorada e vendida em leilão - em dia de greve do metro -, e já temos um ex-ministro preso, pela primeira vez na história da república, em directo e com cobertura mediática, ao desembarcar do avião à chegada a Lisboa.

E de repente qualquer coisa nova começa a bulir: isto pode bem ter sido o catalisador de uma imensa discussão nos próximos dias, e em rigor, nos próximos tempos. É, já, um cheirinho de Saturno em Sagitário. Vamos ouvir falar muito, muito, de justiça, e ética, e assistir a muitos, muitos julgamentos e testes à verticalidade de indivíduos e sistemas. Será um dos temas fortes nos próximos três anos. Chato, chato, é que no domingo não há comentário político. Mas na segunda, vá lá, estreia uma nova novela.

Pão e circo, não era? O que havia de dar às hostes para manter o povo dócil e imbecilizado. Pão e circo. E já que não há pão, acho muito natural - e previsível - que pelo menos vão estreando novos números de circo.

... e por falar em circo, também se prepara para estrear o "Shark Tank" em Portugal, melhor, o "Shark Tank" português, melhor, a versão televisiva da coisa - porque "Shark Tank" já isto é há muito tempo - não é sobre isso que têm sido as notícias quase todas dos últimos tempos? Submarinos, banqueiros, vistos gold e engenharia Financeiras suspeitas - não é esse o retrato fiel de um verdadeiro tanque de tubarões?

Vai ser um sucesso. Principalmente por ser num país de Peixes. Os tubarões continuarão a ser tubarões - mas agora dão outros na televisão. Pão de um lado, circo do outro. É aquilo a que se pode chamar, literalmente, uma manobra.... de diversão. Suposta. Suposta diversão.

E por falar nisso. Mais uma notícia excelente. PSD e PS, que têm partilhado entre si o poder político nas últimas décadas mas nenhuma das responsabilidades pelo estado a q’uisto chegou, conseguiram finalmente - o que eles não fazem por nós! - encontrar terreno comum e chegar a um acordo, a um consenso - finalmente! - depois de tantas tentativas falhadas em temas como finanças, emprego, educação, segurança social ou defesa nacional.

Finalmente PS e PSD concordaram numa coisa. Puseram-se de acordo e uníssono. E assinaram todos, em espírito fraterno e de união, a promulgação de uma lei muito importante para o país, que é a recuperação das subvenções vitalícias para os políticos - um gesto particularmente nobre, patriótico e oportuno numa fase como esta  que os sacrifícios exigidos a todos são tão terríveis que até a REN duvida que sejam constitucionais. 

O que é constitucional é o que pertence à constituição. E a constituição é o que descreve o modo particular de ser no tempo e no espaço, ou aquilo de que as coisas são feitas. 
                                                            
E são feitas assim, destas pequenas tremendas alegrias. Uma nova novela, um ex-ministro e um chefe da polícia na cadeia ao mesmo tempo, as empresas a dizer aos governos "não pagamos", o zé povinho a ser enrabado a toda a hora, pão e circo com fartura, e pompa, e circunstância.

e com umas manobras nos divertem das outras. 

Enquanto isso,
Enquanto isso...

O mundo vai girando, a roda rodando, o fluxo cumprindo-se. Com a inteligência própria da aranha cada Um construindo-se assim obreiro da sua própria teia, cada momento qualidade oportunidade e escolha fazendo-se a fundação presente e assim o antepassado das possibilidades seguintes, tecendo a malha dos seus próprios futuros, construindo pontes erguendo barreiras fazendo buracos cavando terra ou tapando-os de areia... fazendo a cama na qual, como diz o povo, se deitará.

e de repente um gato,
um salto,
uma patada...

e já ninguém sabe da aranha
nem se interessa
quão curioso terá o gato ficado
com o episódio *


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