26 de novembro de 2014

Clarificação


... aqui há uns dias, comecei a pensar em regressar à Índia (não é voltar para, é voltar a ir - lá porque metade dos meus genes são hindus, não implica necessariamente que eu precise ou queira lá viver - pelo menos de momento)

umas horas depois de ter comentado isto ao almoço com um Bom Amigo, recebi o convite - por uma via fortuita, e vindo de uma pessoa até esse momento totalmente "desconhecida" - para ir à Índia, em trabalho, com todas as despesas pagas, e patrocinado por um riquíssimo qualquer.

como não é da minha natureza correr atrás do primeiro pau que me atiram, respondi que se for para acontecer, farei minha parte para poder ir - e deixei-me estar a observar o desenrolar natural da Vida.

mas como era algo que ressoava a um nivel pessoal com uma "vontadezinha", embora não o suficiente para me fazer mover uma palha, limitei-me a pedir Clarificação, e rápida de preferência, porque já não tenho tempo a perder com mer*as.

no dia seguinte, observei uma situação que me resolveu a questão e qualquer margem de dúvida:

embora o convite fosse interessante, oportuno, e - a um certo nível, assim, pobrezinho - uma resposta possível (entre tantas, é evidente) ao impulso que tinha acabado de formular, e por isso mesmo de assumir,

bastou esperar, tranquilo, que a própria Vida mostrasse o que fazer *

e o que observei foi muito, muito clarificador em termos da qualidade energética de quem me fez o convite. E eu - em podendo - não estava nada interessado em misturar a minha energia com a qualidade daquilo que observei.

e a "possibilidade" de fazer "aquela" omolete de caril com os ovos que "milagrosamente" alguém me ofereceria desvaneceu-se: e com a mesma naturalidade com que surgiu. Puffff!

se partilho o episódio é porque retiro dele duas ou três ideias que podem ser interessantes de contemplar, por quem se interesse ou se dê ao trabalho de pensar "nestas coisas":

1. nem sempre quem te satisfaz os desejos te está a fazer Bem

2. só podes reconhecer a qualidade essencial de qualquer situação quando vives além de um estado de desejo, i.e., de medo

3. quando não souberes bem o que fazer, não faças nada. Pede Clarificação - e prepara-te para aceitar a resposta que estará mesmo diante dos teus olhos, mesmo - ou principalmente - se for a "frustração" do que gostarias, do que seria mais simples, do que seria mais fácil, do que seria mais barato, do que te seria "dado de bandeja" - a aranha também tece uma teia maravilhosamente bonita para caçar as mosquinhas tontinhas que esvoaçam de carnes negras e estaladiças à mostra

4. confia em Ti, no Processo, e no teu próprio Destino: sempre viverás, se viveres verticalmente, tudo aquilo que for para ti correcto viver - e se for do teu Destino, tê-lo-ás inevitavelmente. As coisas não se conseguem com "hard will" - mas com "soft will", tranquilamente, e sem apego a resultados. O touro dá por ele no meio da arena seduzido pela irresistibilidade do vermelho, e quando dá por ele, tá fo**do. Essa é uma das pequenas diferenças entre um touro, uma vaca, e um Ser Humano: a capacidade de gerir os próprios impulsos biológicos e inconscientes. Ou não teríamos nascido com um cortex frontal capaz de tomar decisões além do instinto, e com uma mente capaz de se ligar à de deus.

5. como diz a sabedoria dos índios, o teu primeiro Mestre é o teu Coração * só não o consegues - ou queres! - ouvir se estiveres toldado pelo medo, ou pelo desejo, ou cego pela ignorância

6. não te apegues às formas - as formas passam, a Vida é eterna. Uma forma que não tem Luz dura tanto quanto uma bolha de sabão. Dá tempo ao tempo. Só o tempo revela a qualidade essencial de Tudo.

7. quando rebenta a bolha, agradece. São menos reflexos distorcidos, por muito coloridos que sejam, a ofuscar a tua Visão.

8. podes sempre aprender a cozinhar caril em casa, enquanto deus não te leva ao território das vacas sagradas. Quero dizer, vacas há muitas. Mas de sagrado... bem, felizmente, há cada vez mais *

Enviar um comentário