2 de abril de 2012

Admirável Mundo Novo pt.2



Como já foi referido, a entrada de Plutão em Capricórnio, em novembro de 2008, marcou o “início” de uma crise anunciada, a dos sistemas e estruturas colectivas e sociais que são a base do nosso mundo – e,  consequentemente, todas as estruturas sociais, empresariais, e políticas – num processo de reestruturação que ainda demorará mais alguns anos.


Plutão não volta a mudar de signo, nem de mensagem, senão em 2024. Nessa altura teremos as nossas estruturas a funcionar e prontas para apoiar a sua entrada em Aquário. Então, algo mais se transformará.

Daqui por 250 anos, Plutão volta a entrar em Capricórnio. Não se apoquente. Os netos dos seus trinetos – ou os marcianos – que lidem com isso.

Por agora, todos tentamos colocar a vida em ordem e ganhar maior controlo sobre a mesma.

Todos: esse é o problema. De facto, os tempos exigem a todos maior controlo sobre a vida e tal implica que uns controlem os outros - e os tempos também não estão para isso, pelo menos, desde maio de 2010.

Úrano em Carneiro foi o despertador cósmico que começou a tinir, precisamente desde então, sobre as nossas cabeças; o despertador da indignação. Nos meses que se seguiram, um pouco por todo o mundo, povos e nações inteiras começaram a reivindicar os seus direitos perante os abusadores do poder. Estes abusadores de poder representam aquelas partes de nós, de cada um de nós, que é avessa à mudança, que se instalou no próprio poder – a parte de nós que ainda não está disposta a abdicar voluntariamente do poder e dos privilégios em nome de uma sociedade nova, de uma democracia: uma forma de organização social que sirva as pessoas, não as instituições ou os interesses particulares de uns, enquanto outros morrem à mercê de doenças, fome e miséria.

Pretende-se uma sociedade mais solidária, mais justa, mais eficiente, com o poder, a justiça e as responsabilidades pessoais e colectivas a serem deliberadamente exercidas em prol de ideais eternos, fraternos e fundamentais para a sobrevivência da espécie humana no mundo.

Uma sociedade mais consciente das consequências de um uso insano, frenético e egoístico do conhecimento, da tecnologia, da informação, da propriedade, dos lucros e dos recursos para perpetuar o domínio de uma minoria da humanidade sobre a restante, imensa, maioria. Essa seria a sociedade que serviria. Essa é a visão que nos traz Neptuno em Peixes.

A maturidade espiritual da humanidade

Neptuno em Peixes traduz-se numa maior consciência de unidade: expressa-se na ecologia, na integração espírito/ mente/ emoção/ matéria, na mente perscrutando os mistérios da mente e descobrindo novos mundos dentro do mundo: mundos que já existiam, simplesmente ainda não chegara a altura de serem explorados.

Apoiado pelo brilhantismo científico propiciado por Úrano em Carneiro, Neptuno em Peixes pode vir a estender também as suas ondas à exploração dos oceanos e dos recursos subaquáticos, à descoberta de fontes naturais renovadas – e renováveis – de energia, alimentação, cura e bem-estar; à exploração de novos domínios e planos na ciência e na espiritualidade, rompendo de vez, e graças a uma intuição completamente nova, com todas as velhas barreiras e limitações. A exploração do espaço, quer exterior, quer interior, será um dos mais fortes impulsos da próxima década: quer por vias místicas e espirituais, quer por via das drogas (que terão cada vez mais importância, e por múltiplas vias, à medida que o tempo passe).

Por diluir as fronteiras, fundindo e englobando tudo no mesmo abraço oceânico, Neptuno simboliza – e dissemina – a compaixão; contudo, ao fazê-lo, Neptuno pode também simbolizar a propagação de coisas menos boas, como a fragilização das defesas e o arrastamento em ondas coletivas sem controlo. Tudo o que se dissemina, seja uma gripe, epidemia ou contaminação coletiva, seja a histeria emocional ou o medo, ou até mesmo rumores, boatos, e contrainformação, possui uma dimensão viral, isto é, potencialmente perigosa.

Um espírito mais solidário

Com a entrada de Neptuno em Peixes, signo onde passará 16 anos, o conceito de que estamos todos ligados sobe a um novo patamar. A última vez que Neptuno esteve em Peixes assistimos à abolição da escravatura e da pena de morte. Agora, iremos sentir como nunca a injustiça e o sofrimento do outro, até que reconheçamos que ninguém pode estar realmente em paz enquanto existir sofrimento no mundo.

Também vamos assistir a um alargamento da noção de família, a qual irá expandir-se até abarcar a comunidade e todo o planeta. As iniciativas ecológicas das comunidades e cidades em transição são um exemplo. Aliás, não vá mais longe. Quantas famílias, com a crise de hoje em dia, não ocupam diferentes quartos numa mesma casa? E os imigrantes? Já lhe ocorreu que estes possam ser ensaios cósmicos da vida em comunidade?

E que, na impossibilidade de basear as nossas relações naquilo que de material tenhamos para dar, é a nós próprios, e de nós próprios, que teremos de aprender a dar no contexto das nossas relações? Como escreveu Helena Sacadura Cabral, no amor “o difícil não é dar. É dar tudo”-

Teremos de aprender a dar no seu sentido mais verdadeiro, pois, enquanto não for de nós próprios que damos, nunca as nossas relações se tornarão reais. Enquanto não dermos, com a mesma disponibilidade e intenção, também àqueles que não conhecemos, nunca o nosso amor será mais do que um amor pessoal, egoísta, e muito aquém do amor que a humanidade está a ter oportunidade de aprender e expressar: amar sem olhar a quem.

A humanidade pode aproveitar uma boleia como esta, se reconhecer na “crise” coletiva a oportunidade para criar uma sociedade global mais justa e equitativa entre indivíduos e nações. Basta recordar que Plutão em Capricórnio representa o fim da velha sociedade e o poder de construir uma nova; Úrano em Carneiro, o novo homem e a impaciência com o velho, na luta pela próxima versão de si mesmo; e Neptuno em Peixes simboliza o humanismo espiritual a que estamos destinados, ou os véus ilusórios de fantasia, autoengano e irrealismo que nos cegam para a dimensão e a natureza do que está a acontecer no mundo.

Os heróis do novo mundo

Transformando prepotência em poder pessoal, revolta em coragem, impaciência em ação decidida, desilusão com as nossas próprias expectativas na oportunidade de darmos, mais e mais completamente de nós mesmos em nome de algo significativamente maior podemos aproveitar estas ondas de mudança.

Talvez possamos vir a usar, proteger e promover os recursos comuns, atuais e vindouros, sem acumular riqueza desnecessária, salvaguardando e garantindo a dignidade de toda a família terrena, proporcionando a cada um, em função da sua necessidade, mérito, escolha, responsabilidade e poder, fornecendo-lhe os meios para que a divindade individual possa ser cuidada e expressar-se, manifestando-se como um dom ao serviço dos outros e transformando a sociedade humana na expressão de 7,3 mil milhões de dons do espírito sobre a Terra.

Para que todos tenham pão, casa, cultura, educação, para que todos tenham na encarnação um templo para o seu espírito. Para que cada um se possa tornar, como dizia o mestre Agostinho da Silva, o poeta criador que nasceu para ser.

Possam, por isso, homens e mulheres de boa vontade honrar, durante os próximos anos, a visão de Neptuno em Peixes com a coragem de Úrano em Carneiro e o poder de Plutão em Capricórnio, pois serão esses os heróis do futuro e, por Amor, o mundo será seu.


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