15 de maio de 2014

a partida (de Ponta Delgada)





mala feita, doces comprados, web check-in feito, um último provisório momento à varanda para inspirar o céu, a luz, as cores e as gentes desta pérola atlântica, o pedaço de céu reflectido na terra que me acolheu durante insta dia ntes momentos - eternos, ternos, instantâneos momentos - fugazes e sem fim - que se prolongarão e ecoarão (ou então, não) pelo Ser a que pertenço afora...

... há uns anos, quando me transportava debaixo de chuva para o aeroporto de Bali, outro dos lugares exteriores mais bonitos por onde o vento já me levou, o motorista comentou, cumprindo a natureza gentil e generosa daquele povo, "esta chuva é Bali a chorar porque te vais embora"

- entre o narcisismo e o pensamento mágico (combinação às vezes dramática, mas tão divertida de observar), gostei tanto da imagem que a guardei no lugar onde guardo o que Amo, e assim torno tão permanente quanto a minha fugaz passagem por Aqui -

hoje, quando acordei, recordei o Madey Wayan, o motorista de Bali, e a ternura da sua imagem.

é que o dia acordou a chover *

mas é só uma projecção - diz o meu núcleo narcisista e mágico - do meu firmamento interior: só nunca se distinguirão, por entre os pingos, os que molham de alegria e os que fecundam de nostalgia e saudade - o sentimento tão lusitano - tão natural como a nossa sede -,

é que vou daqui - se é que alguma vez daqui saí, se é que alguma vez aqui cheguei - com o Coração cheio, a transbordar de Amor Gratidão e Doçura. E não falo dos doces comprados; falo do Doce oferecido, partilhado e trocado durante estes dias - meu deus!, já passaram dias?! - nestes (re)Encontros que a Vida me deu a viver *

... e só por isso vale a pena Viver, e quando se Vive está-se sempre pronto a morrer *

... mais uma mini-morte, mais uma maxi-Vida *

levo a bagagem cheia - sem excesso de peso, porque não há limite -

e é Amor *

o que levo - o que deixo - o que foi - o que será - o que É*


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