20 de março de 2014

equinócio da primavera




 

é praticamente oficial.

se a Terra continuar a girar, continuando a alimentar-nos a ilusão (só mais uma no meio de tantas outras!) de que o Sol avança no Zodíaco,

e se os Planetas continuarem a cumprir suas órbitas, quasi-circulares e absolutamente previsíveis, em redor do Sol que tem sido seu centro (e que não deixa de ser mais uma estrela)


- e tudo indica que sim -

(mas também, com o nascer do dia, tudo nos parece possível)

... então é quase seguro afirmar

(tão seguro, e tão quase)

que daqui a uma dúzia de horas, menos um bocadinho

(mais coisa, menos coisa)
 

o Sol ingressará - aparente e ilusoriamente - no signo de Carneiro

como o ponteiro do relógio que atinge aquela parte do mostrador onde se convencionou escrever-se o 12 obrigando-nos a aceitar que é meio-dia/meia-noite,
mas sem nos empurrar o almoço pela goela abaixo nem nos obrigando a recolher lá porque o dia acabou - para alguns é só o começo: padeiros, putas e guardas nocturnos por exemplo
 

e assinala o início de um Novo Ano astrológico chamado Primavera.
 

é uma certa vitória da Luz sobre as Trevas, do Calor sobre a Humidade, do dia sobre a noite
 

- os umbigos à mostra progressivamente vencendo e libertando-se dos agasalhos -
o entusiasmo de um novo início sobrevindo à nostalgia do que ficou para trás,
 

- que se lixe o passado, a gente vamos mazé em frente -
 

para onde, alguém saberá, mas vamos na mesma
 

(seja como for, não há nada a que regressar - e será por isso que é Tudo o que ficou para trás? Tudo o que está pela frente? Tudo - a cada momento - este momento d'agora?)
e a Vida pulsando, pulsando de si própria cheia de possibilidades de ser ou vir-a-tornar-se
com a impaciência de um broto que se prepara para rasgar os véus e a terra
anunciando-nos o início de novos inícios
 

prometendo-nos uma morte futura mais estilosa se formos em frente e aceitarmos viver
arriscar avançar renascer
 

espreguiçar os sonhos desfeitos passados
 

sacudir as tristezas dos ombros
 

- e destapar os umbigos, ou as canelas: um umbigo destapado é meio caminho andado -
abrir os braços ao Céu e saudar a nova Luz
 

que toda a gente sabe que não é nova, mas é uma Alegria o reconhecimento, quando lhe encontramos a prova
 

e toda a gente sabe que toda a gente gosta
quando a Vida se renova *



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