20 de fevereiro de 2017

Unidade - ou da Vida uma "aquatic dream therapy"


Conhece a filosofia hindu chamada Advaita Vedanta, segundo a qual toda a separação é ilusão?


Advaita significa, literalmente, “não-dual” e refere-se ao facto de que a realidade última é a unidade fundamental de tudo quanto existe. Esta visão traduz a consciência de que tudo é Um – e que a aparente separação é uma ilusão dos sentidos, um produto da mente que organiza as experiências a partir das formas e das categorias do espaço e do tempo, produzindo a crença – ilusória, para a visão mística e mágica da vida que a energia de Peixes convida a desenvolver – de que estamos separados: entre nós, e uns dos outros.

A diferença, a separação, a distinção, a existência independente é constatável e observável pelos orgãos dos sentidos e pela natureza separadora da mente racional, lógica, vigilante, literal: branco é diferente de preto, ser e não-ser são opostos, eu sou diferente e estou separado de ti, o bem e o mal não se confundem, uma coisa é o dentro e outra coisa é o fora, eu sou diferente deste cão e daquele coelho e daquelas pessoas, e entre todos estes princípios diferentes existe uma distância, uma separação, um espaço vazio em que cada coisa ocupa o seu próprio lugar e existe separadamente de todas as outras.

Mas de um certo ponto de vista, tudo isso é ilusório. Tat twam asi”, ensina a mais velha filosofia hindu: tu és isso. Quando olhares para uma árvore, recorda que és árvore também. Quando olhares para um prédio, recorda que és prédio. Quando olhares para fora, recorda que tu és também isso que observas fora de ti. Tudo é, na essência, uma única e a mesma coisa: a Realidade Última que a tudo dá forma, que tudo vivifica, e na qual tudo e todos temos a nossa existência e nos movemos. Tudo é Um, e todo o sofrimento, medo, desejo, nascem da amnésia cósmica desta unidade fundamental de toda a Vida.

“Por que é que és infeliz?”, pergunta um velho mestre espiritual ao oferecer-nos a sua resposta: “porque 99,9% de tudo o que fazes, sentes e pensas se refere a ti – e isso não existe”.

Se eu sou Um com Tudo quanto existe, separado apenas na aparência e na superfície tocada pelos meus sentidos físicos, não existe diferença fundamental entre “eu” e “tu”. O que faço ao outro faço a mim mesmo. O outro é, inevitavelmente, um reflexo de mim, um outro "eu", outra gota do mesmo oceano, um reflexo de outra possibilidade de ser dentro do Grande Ser dentro do qual todos existimos, nos movemos, e encontramos a própria existência.

É do julgamento, nascido da particularidade de um ponto de vista determinado (que implica a identificação com uma pequena parte da Realidade, ou seja, com um dos seus fragmentos que subitamente se tomasse como a totalidade), que nasce esta distinção ilusória - e apressa-nos a julgar as situações e os outros como "certas", "erradas", "boas" ou "más": a ilusão de que estamos - de que somos - separados.

Para julgar alguém como “bonito” ou “feio”, “alto” ou “baixo”, muito ou pouco enérgico, preciso de uma comparação, de uma referência, de um contraponto, de uma polaridade. Se estou no terceiro andar, o sétimo é mais alto, mas se vivo no décimo-segundo é mais baixo. Verdade?

Einstein, que era do signo solar de Peixes, ensinou-nos que "tudo é relativo" - e isto implica, antes de mais, que tudo existe em relação. Relativo implica "relacional". Por relação a algo-outro, que é precisamente o que dá sentido e existência àquele-outro de que "este" outro é... o outro.

O julgamento requer tomada de posição, como se existisse – ou fosse possível – fazer de um fragmento da realidade a realidade absoluta a partir da qual perspectivar tudo o resto, como se um fragmento tivesse existência real independente de todos os outros fragmentos aos quais está intimamente ligado. E essa é a grande ilusão dos sentidos.
“O julgamento impede-me de ver o bem para além das aparências”
W.Dyer


  “ao julgar os outros ficamos sem tempo para os amar”
 M. Teresa de Calcutá


É largamente através do julgamento que nos separamos e afastamos do Todo, e através do amor e da aceitação que nos religamos a ele – e religare é, afinal, não só a raíz etimológica da palavra como a própria essência de toda a Religião.

Aceitação, unidade e amor. Porque Amar é Unir. Não falamos de "amar" no sentido romântico: mas como capacidade de reconhecer a Unidade fundamental por "detrás" de tudo quanto existe. É por isso que associamos Neptuno, o planeta que rege o signo de Peixes, ao chamado "amor impessoal", colectivo, transcendente, e sem objecto concreto, particular, definido: personalizado.

Amor é o reconhecimento da unidade fundamental por detrás de toda a vida. Capacidade de ir além do julgamento que separa e toma partido por umas coisas “boas” em detrimento, ou contra, outras que são “más”.

Compaixão.

Essa é a consciência a desenvolver quando queremos acercar-nos do reino de Peixes. Ou permitir que Ele nos envolva - melhor ainda, permitirmo-nos reconhecer e sentir conscientemente envolvidos e ligados, pertencentes e cuidados pelo Todo - pois Ele sempre nos envolveu e envolve mesmo enquanto d'Ele não temos consciência.

Vivemos todos no colo, ou no coração, d’Isso a que chamamos “deus”, Universo, Anima Mundi, Espírito, Brahman, Realidade Última, Consciência Suprema, ou qualquer outra coisa que queiramos, com o nosso vocabulário e concepções limitadas, chamar-lhe.

Acha que por lhe terem cortado, à nascença, o cordão umbilical físico - que fazia a ligação à mãe biológica - lhe cortaram igualmente o cordão umbilical subtil que o liga à Vida, a Grande Mãe que a todos nos alberga, sustenta, nutre e acolhe no seu seio?

A separação - a ilusão da separação - é, do ponto de vista de Neptuno, o único real "pecado": ou a prova da nossa ignorância, amnésia, ou esquecimento.

E é talvez por isso, também, que Neptuno rege as "saudades de Casa", a nostalgia de absoluto, a memória da Unidade esquecida, a nostalgia de algo que não é concreto, mas que se (pres)sente ter "existido", e do qual nos "sentimos" des_ligados. O fado. O sofrimento indizível por vias racionais, talvez mesmo apenas pela vibração, emoção silenciosa, pelo timbre da voz, pelo olhar húmido e oceânico, pela dimensão do abraço a algo intangível, imenso, e sem forma, que assume todas as formas, e não tem forma nenhuma. Caleidoscópio. Sacrifício.

Particularmente características, estas energias, de uma Alma colectiva como a Portuguesa, regida por Peixes e Neptuno - senão literalmente, porque com Neptuno nada é literal, pelo menos simbolicamente, inclusive no Mapa Astrológico simbólico que Fernando Pessoa erigiu para Portugal colocando-lhe o Sol no grau 17º de Peixes e o Ascendente no também aquático signo de Caranguejo. 

Portugal, país de almas antigas e sensíveis, nas quais "só se nasce por castigo ou por missão", como dizia o Fernando Pessoa, país de raízes profundas na matriz colectiva, feminina representada pelo Mar e por Maria, pela Santa Madre Igreja (e seus equívocos inevitáveis: afinal, que pode o Homem esperar quando se põe a querer personalizar energias tão impessoais e tão além do entendimento, de definições rituais e regras, e de quaisquer personalizações?)

União. Misticismo. Devoção. Yoga. Amor. Reconciliação. O fim da separação. O regresso à Unidade. O sonho. O sonho da realidade, a realidade do sonho, a ilusão de que estamos acordados quando se calhar estamos adormecidos dentro de um sonho sonhado por...

NeptUno. 

Vivemos no colo de deus. Somos todos seus filhos - irmãos, nós - , e não há nenhuma separação fundamental entre nós e eles, nem sequer entre deus e nós a não ser na aparência e nos rótulos intelectuais que criamos.

Tudo é Um, e independentemente - e mais além - do que julguemos, tudo está certo, e tudo está bem - mesmo que não compreendamos bem de que maneira ou não o aceitemos.

A tarefa de aceitar o que não compreendemos é nossa, não é a Vida que tem que se sujeitar às nossas próprias limitações para Ser o que É. Somos nós quem temos de nos "ampliar e abrir" para a aceitar tal como É. Sem tropeçar em "nós", sem tropeçar em cada "eu": a vaga oceânica que não se detém por grão de areia algum em particular.

Para desenvolver esta consciência, mantenha em mente a máxima “tat twam asi” e viva o seu dia-a-dia a partir dessa consciência. Observe a sua tendência a separar, a julgar, a criticar, a considerar “adequadas”, “correctas”, “boas”, “aceitáveis” umas coisas (ou pessoas) em detrimento de outras. E veja como isso @ separa. E observe como, quando não julga, entra num estado de comunhão com o que está aí, consigo, à sua frente. Isto não significa não reconhecer as diferenças: mas implica, seguramente, reconhecer a Unidade fundamental por detrás de todas as diferenças. Recorde, para onde quer que olhe, e o que quer que viva: você é também é isso. Você é tudo. E Um com o Todo.

Isto dar-lhe-á um vislumbre da Unidade.

Quer ir mais longe?

Tire uns minutos por semana para fazer o seguinte exercício – e faça-o pelo menos uma vez na vida, para ter a experiência. Se a fizer a sério, basta uma vez: porque será inesquecível.

Vá para um lugar movimentado e observe o mundo à sua volta como se você não estivesse lá, ou fosse invisível.

Imagine que deixou de existir, e observe a vida a continuar sem si.

Imagine a vida dos seus filhos, amigos, colegas, da sua empresa, da sua família, do seu prédio, da sua comunidade, a continuar e a cumprir-se sem si.

Você já não está, e a vida continua cumprindo o seu próprio fluxo.

E você não existe - ou melhor, sempre existiu, com e através de tudo. Aquilo a que você chama "eu" normalmente, como uma entidade separada com um nome, é que não existe, não é real, e não está lá. É como um barco vazio flutuando nas ondas da existência, sem nada para defender, nada para conquistar, nada a provar, e tendo a experiência (profundamente libertadora) de simplesmente Ser: sem "ser" nada em concreto, nem ser "alguém".

Imagine-o. Faça a experiência. Como é, para si, isso de poder testemunhar e Ser, sem intervir, sem existir, sem necessidade que o mundo @ reconheça, e à sua "existência", como uma entidade real, concreta,... separada?

Sem julgar ou querer corrigir o mundo?

Sem resistir, e simplesmente (deixar) fluir e permitir que tudo seja o que é, sem criar para si mesm@ atrito e sofrimento (resistência) desnecessário?

Sem impôr as próprias opiniões do que "deveria" ser para ser "certo".

Sabe mesmo, mesmo, mesmo o que "deveria" ser para ser "certo"?

O que é, afinal, o "real"? É o que para si é real? E se o que para si é "real" for apenas uma ilusão?

E como saber?

Como ter a certeza?

Como viver sem precisar de definir, julgar, separar, organizar, estruturar, enfim... ter certezas ou noções "claras" do que é "real"?

Como viver o Mistério?
 
Isto dar-lhe-á um vislumbre da eternidade e ajudará a por a sua vida em perspectiva, numa perspectiva maior do que a do próprio fragmento de vida que cada um de nós é.

E ajudá-lo-á, além disso, a compreender o essencial: o essencial é aproveitar o pouco tempo que tem para Amar, celebrar a Vida e o Milagre, e não para se armar em polícia do universo, legislador universal, juíz da realidade "correcta". Isso não é vida: é neurose.

Se quer viver, celebre, ame, aceite, confie, sonhe, cuide, e saiba que o que quer que faça ao Outro - ao "fora" de Si... está a fazê-lo por, e a, Si próprio. Incluindo... amá-lo!

So, let go... and let God. A Vida é uma Dança.

E - sem desprimor, mas a um certo nível (da perspectiva de Peixes, pelo menos) - a sua (a minha) "vida" é demasiado insignificante, perante o grande esquema das coisas, para nos preocuparmos em fazer alguma coisa que não seja... desfrutá-la na sua infinita perfeição, e de preferência, servirmo-nos uns aos outros, que é como quem diz, a Si Mesmo.


("- mestre, como devo tratar os outros?"

"- não existem outros")

e Amar, Amar tudo o que puder, porque Amar é unir, e pensar (julgar) é separar. 

Então recorde (re_cordar: trazer de volta ao Coração) que na "última" etapa, aquela representada pelo 12º dos 12 Signos do Zodíaco e pelo seu regente Neptuno (a última, ou a primeira? Não será a "última" a preparação derradeira para o início de Tudo?), a resposta é Entrega, Confiança, Fluxo, Aceitação, Mistério, e Humildade perante a Imensidão. Diluição, fim de todas as separações ilusórias e fronteiras, entrega ao fluxo e ao refluxo da vida, reflectida (simbolizada) no Oceano e suas marés...

Let go and let God... Let go and let God... let go...

let God *

(e faça da Vida - reconheça-a como - uma "aquatic dream therapy")