17 de janeiro de 2017

Responsabilidade


O Dom de Capricórnio

Responsabilidade: habilidade de responder.

Responder a quê? Às circunstâncias da vida. Responder de que forma? Em verdade e coragem, de forma genuína e autêntica. Responder pelo quê? Pelas consequências naturais das nossas escolhas mais verdadeiras. Pelo preço das nossas necessidades mais profundas. 

Responsabilizar-me: tornar-me hábil (capaz) de responder por quem sou e o que preciso. É o assumir responsavelmente a própria existência


Mas também se confunde Responsabilidade com aceitar tarefas e incumbências que não nos fazem sentido, que nunca escolheríamos em amor por nós próprios, e nas quais não temos realmente fé; mas que por serem importantes para outros significativos na nossa vida (aqueles a quem amamos, ou desejamos, ou que têm poder de nos recompensar ou punir) acabam por se tornar nossas.

Ou que por serem o preço a pagar por ambições que no fundo não nos permitem cumprir nem realizar, damos por nós a esgotar os nossos recursos vitais - e tempo, o principal aliado (ou inimigo) de Capricórnio - em escolhas erradas.

Por amor, medo, ignorância, ambição tonta ou qualquer outro motivo, é fácil aceitar responsabilidades erradas. É difícil é assumir a responsa-habilidade própria.



É fácil esquecermo-nos (ou preferirmos não nos perguntar) se as responsabilidades que nos impomos nos pertencem, se são importantes para nós antes de mais, se são valiosas, se acreditamos nelas. Porque grande parte das vezes a resposta é: não. 

E ainda assim sobrevém a culpabilidade, outra face do mesmo princípio. É quando a Responsabilidade se torna um sacrifício redutor, vivido a um nível mental e arrogante, que termina em ressentimento, vitimização, depressão, cobrança, doença e tantos outros dos sintomas característicos do mal-estar da nossa civilização - geralmente quando somos confrontados com as consequências das nossas escolhas passadas, e descobrimos que afinal não andámos a construir aquilo que realmente nos serve. E depois achamos que é demasiado tarde para arrepiar caminho. E às vezes é. Porque as realidades que construímos com as nossas escolhas tendem a cristalizar e a tornarem-se realidades cada vez mais difíceis de mudar - mesmo porque entretanto as estruturas construídas vão continuando a sorver recursos e tempo, e ao fim de vinte anos a tratar de porcos não vale a pena dizer que nós queríamos era ter sido dançarinos. Ao fim de vinte anos a tratar de porcos, a nossa vida não é a dança: é a agro-pecuária. E não podemos responsabilizar ninguém por isso: foi a nossa construção.

Em astrologuês, chamamos a isso Capricórnio e Saturno.


Pessoas com estes princípios fortes nos seus horóscopos podem observar estes temas a ecoar nas suas vidas. Disciplina, controlo, “aguentar” em nome de um ideal auto-imposto ou importado do exterior, um forte sentido de dever, a ambição ou senso exagerado de poder/responsabilidade pessoal, o complexo de Atlas (google it) e um forte senso de culpabilidade tendem a fazer parte das suas disposições psicológicas e experiências de vida.

E é na qualidade essencial de cada energia, apesar das suas expressões distorcidas, que encontramos as chaves do seu desbloqueio: para podermos realmente assumir outras responsabilidades em amor e verdade precisamos primeiro assumir a responsabilidade pela nossa verdade pessoal, pela nossa própria voz, pela nossa própria autenticidade.

Qual é a grande tarefa de quem nasce com o Sol no signo de Capricórnio?

Ter sucesso, assumindo uma responsabilidade social e colectiva significativa, onde possa pôr os seus talentos, capacidades e dons ao serviço de uma construção social - tipicamente, isto vive-se através da "profissão". Ou, melhor ainda, da Vocação.

Seria, portanto, pagar o preço da Vocação o grande sucesso para Capricórnio.


Mas para isso é necessário clarificar o que é que, para cada um de nós, "sucesso". E depois, dedicar o resto da vida (não há nada de mais importante para fazer) a subir essa montanha, a estruturar a vida para poder cumprir essa responsabilidade - essa "verdadeira" responsabilidade - e isso requer tempo, auto-controlo, gestão eficiente, minimização do desperdício, tirar o máximo partido dos recursos disponíveis, que são invariavelmente escassos, ambição correcta, desapego relativamente à ambição, planeamento, esforço, e capacidade de adiar a recompensa.

Mas...

Enquanto não aprendemos a ser “respons-hábeis”, genuínos e autênticos não nos respeitaremos nem seremos respeitados – a vida devolve o espelho da nossa própria falta de auto-respeito (o Espelho é o Dom de Balança), e sentir-nos-emos oprimidos por uma vida que construímos com escolhas que nos oprimem.

Começando desde já, comece a introduzir no seu dia-a-dia as seguintes estratégias e mudanças:
 


- habitue-se a reconhecer e calcular a quantidade de vezes que diz (ou pensa) “não posso”, “não devo”, “tenho que”, “é suposto”, “preciso”. Contabilize-as durante um dia. Sério! Vai ficar surpreendido com a quantidade de vezes que o afirma, ao longo do dia. E se contar as vezes que diz (ou pensa) "não podes", "não devias", "devias era...", "tens que..."

(lol e boa sorte, sr(a). Inutil Mente Tirana)
 

- habitue-se a questionar-se a si mesmo:
“Tenho? Ou quero?”
“Não posso? Ou não quero?”
“É suposto? Para quem?”
“Preciso de? Ou escolho fazê-lo?"

 - passe a reservar a frase “não posso” apenas para impossibilidades físicas, por exemplo, “eu não posso correr mais depressa do que um automóvel”, e nos outros casos, reconheça em consciência que “não quer” lidar com as consequências, mas poder, poderia, se assim o quisesse: não estaria impossibilitado fisicamente de o fazer.


Você pode (mesmo que não deseje fazê-lo), faltar a um compromisso importante, por exemplo; você não pode estar em dois sítios ao mesmo tempo.

- aproprie-se do seu próprio discurso. Assuma o “eu”, “para mim”, “tanto quanto eu vejo”, “no meu ponto de vista”.


É muito diferente dizer “uma pessoa não imagina tal coisa” de “eu não imaginei tal coisa”. Assumir o seu discurso devolve-lhe um senso de poder, autoria, e de responsabilidade pelo que escolhe dizer, pensar e fazer.
 

Familiarize-se com a sensação de falar na primeira pessoa apropriando-se do seu discurso. Essa é a sensação de estar no papel de autor da sua vida, vivendo-a com consciência das suas escolhas, com maior responsabilidade e poder sobre elas.
 

Habitue-se a reconhecer a diferença entre um falso e um verdadeiro “não posso”

Habitue-se a reconhecer a quantidade de consequências com que não quer lidar e que - apenas estas - o/a impedem de dizer “não quero”.

Habitue-se a reconhecer a quantidade de escolhas que tem a cada momento. A maneira mais fácil é começar a treinar estes novos hábitos.
 

Estes hábitos simples, uma vez interiorizados, conduzem a uma mudança profunda na percepção do seu grau de poder pessoal.

“Recorda os 3 R’s: Respeito por Ti Próprio, Respeito pelos Outros, Responsabilidade por todas as tuas Acções”

Dalai Lama